Benfica encaixa 53,1 milhões na Champions, mas fica longe do recorde milionário

 


A participação do Benfica na edição 2025/26 da Liga dos Campeões chegou ao fim e, com ela, surge o balanço financeiro de uma campanha que deixou sentimentos mistos. Se, por um lado, os cofres da Luz receberam um encaixe significativo, por outro, os números ficaram aquém do registado na temporada anterior. A imprensa nacional, com destaque para o jornal desportivo Record, sublinhou o valor global de 53,1 milhões de euros arrecadados ao longo da caminhada europeia.


Num clube que vive entre a ambição desportiva e a necessidade de equilíbrio financeiro, este número não pode ser analisado de forma isolada. É preciso olhar para o contexto competitivo, para as metas traçadas internamente e para o impacto estrutural que a Liga dos Campeões tem no modelo económico das águias.


O valor total arrecadado pelo Benfica na Liga dos Campeões


De acordo com os dados divulgados, o Benfica fechou a sua participação na principal competição europeia com um encaixe total de 53,1 milhões de euros. Este montante resulta da soma de vários fatores: prémios de qualificação, receitas fixas de participação, bónus por resultados e valores associados ao ranking da UEFA e ao mercado televisivo.


A presença na fase de grupos garantiu, desde logo, cerca de 18,62 milhões de euros. Antes disso, as águias tiveram de ultrapassar a fase de qualificação, eliminando o Nice e o Fenerbahçe, garantindo assim o acesso à fase principal da prova organizada pela UEFA.


Além da verba fixa, o Benfica beneficiou ainda de aproximadamente 23,26 milhões de euros relacionados com o ranking histórico do clube nas competições europeias e com o peso do mercado televisivo português. Trata-se de um critério cada vez mais relevante na distribuição de receitas da Liga dos Campeões.


No plano desportivo, as três vitórias alcançadas na fase competitiva – frente a AjaxNápoles e Real Madrid – renderam cerca de 6,3 milhões de euros adicionais. A qualificação para o playoff contribuiu ainda para elevar o total até aos 53,1 milhões de euros.


Comparação com a época anterior: um recuo evidente


Embora 53,1 milhões de euros representem um valor expressivo no contexto do futebol português, a comparação com a temporada passada expõe uma quebra significativa. Em 2024/25, quando o Benfica atingiu os oitavos-de-final antes de cair diante do Barcelona, o encaixe total chegou aos 71,4 milhões de euros.


A diferença ronda os 18 milhões de euros. Para um clube com ambições estruturais e compromissos financeiros elevados, este desvio não é irrelevante. A Liga dos Campeões funciona como um verdadeiro motor de financiamento, influenciando decisões no mercado de transferências, renovações contratuais e até investimentos em infraestruturas.


A eliminação mais precoce nesta edição teve impacto direto nas contas. Cada fase ultrapassada representa milhões adicionais, e a incapacidade de repetir o percurso da época anterior traduziu-se numa redução clara da receita global.


A importância estratégica da Liga dos Campeões para o Benfica


Para o Benfica, a Liga dos Campeões não é apenas uma competição desportiva. É uma peça central do modelo económico. O clube construiu, ao longo dos últimos anos, uma estratégia assente na valorização de ativos, exposição internacional e receitas provenientes das competições europeias.


A presença regular na prova mais importante do futebol europeu aumenta a visibilidade dos jogadores, potencia vendas futuras e reforça a marca Benfica nos mercados internacionais. Cada jogo disputado na Champions representa audiência global, patrocínios valorizados e maior poder negocial.


No entanto, existe um risco estrutural: a dependência excessiva destas receitas. Quando o desempenho desportivo não acompanha as expectativas, o impacto financeiro sente-se imediatamente. A diferença entre cair nos oitavos ou nos quartos-de-final pode significar dezenas de milhões de euros.


Eliminatórias exigentes e contexto competitivo


A caminhada desta época incluiu 14 encontros oficiais, quatro dos quais na fase de qualificação. A exigência competitiva foi elevada desde o início. Superar equipas como Nice e Fenerbahçe exigiu intensidade máxima ainda antes da fase principal arrancar.


Já na fase de grupos e nos jogos seguintes, o Benfica enfrentou adversários de peso, incluindo históricos do futebol europeu. As vitórias frente a Ajax, Nápoles e Real Madrid foram momentos altos da campanha e demonstraram capacidade competitiva em jogos grandes.


Contudo, o percurso não foi suficientemente consistente para permitir um avanço mais profundo na prova. Em competições de detalhe, a margem de erro é mínima. Um empate em casa, um golo sofrido nos minutos finais ou uma decisão arbitral podem alterar completamente o destino financeiro de uma época.


Ranking UEFA e mercado televisivo: fatores determinantes


Uma parte significativa dos 53,1 milhões de euros não depende diretamente dos resultados da época em curso, mas sim do ranking acumulado ao longo dos anos e da dimensão do mercado televisivo nacional.


O coeficiente histórico do Benfica nas competições da UEFA continua a ser um trunfo. O clube beneficia do seu passado europeu e da regularidade com que marca presença nas provas continentais. Esse histórico traduz-se em milhões adicionais todos os anos.


Já o market pool – parcela distribuída com base no valor dos direitos televisivos de cada país – reflete o peso do futebol português no contexto europeu. Aqui, o Benfica não compete apenas com rivais internos, mas também com a dimensão económica de ligas como a inglesa, espanhola ou alemã.


O impacto nas contas e no mercado de transferências


Num cenário ideal, a participação na Liga dos Campeões financia parte significativa do orçamento anual. Quando os valores ficam abaixo do esperado, o clube é forçado a ajustar estratégias.


Isso pode significar maior pressão para vender jogadores no verão, contenção salarial ou aposta reforçada na formação. O Benfica tem demonstrado capacidade em gerar mais-valias no mercado, mas a necessidade de equilibrar contas pode reduzir margem de manobra desportiva.


A diferença de 18 milhões face à época anterior pode parecer pequena no universo milionário do futebol europeu. No entanto, para a realidade portuguesa, representa um valor capaz de financiar contratações estratégicas ou evitar a venda precipitada de um ativo importante.


Benfica entre ambição e sustentabilidade


A análise da campanha europeia não pode ser puramente emocional. É preciso reconhecer o mérito de alcançar a fase principal, garantir vitórias relevantes e somar mais de 50 milhões de euros. Ao mesmo tempo, é legítimo questionar se o clube poderia ter ido mais longe.


A ambição do Benfica é regressar às fases mais avançadas da Liga dos Campeões com regularidade. Para isso, precisa de estabilidade técnica, profundidade de plantel e capacidade de competir ao mais alto nível durante toda a época.


Financeiramente, o desafio passa por reduzir a dependência de percursos excecionais. Um modelo sustentável exige diversificação de receitas e gestão prudente, evitando que uma eliminação precoce comprometa objetivos estruturais.


Conclusão: um encaixe relevante, mas insuficiente para as metas máximas


Os 53,1 milhões de euros arrecadados na Liga dos Campeões 2025/26 representam um resultado sólido, sobretudo num contexto competitivo exigente. Ainda assim, o valor fica claramente abaixo do registado na época anterior, quando o Benfica atingiu os oitavos-de-final.


A diferença evidencia como o sucesso desportivo e o desempenho financeiro caminham lado a lado no futebol moderno. Cada ronda ultrapassada traduz-se em milhões adicionais e maior margem estratégica.


Para o Benfica, a lição é clara: manter presença regular na Liga dos Campeões é essencial, mas não basta. Para consolidar crescimento, será necessário transformar participações consistentes em percursos mais profundos. Só assim os cofres da Luz poderão aproximar-se, de forma sustentável, dos patamares milionários que definem a elite europeia.

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