Varandas perde a paciência? Filipe Neto em contagem decrescente no Sporting

 


A estabilidade no futebol de formação nem sempre acompanha o discurso institucional. Em Alvalade, a realidade atual da equipa de sub-23 do Sporting levanta dúvidas sérias sobre o futuro de Filipe Neto. A Direção liderada por Frederico Varandas acredita que há margem para fazer mais e melhor, e a permanência do treinador tornou-se uma incógnita num momento delicado da temporada.


Segundo informações recolhidas junto de fontes próximas do processo, o lugar do técnico está sob forte avaliação. A margem de erro é cada vez menor e o cenário de mudança no comando técnico já não é apenas um rumor de bastidores.


Resultados colocam Filipe Neto sob pressão


Os números não mentem. Nos últimos sete jogos, os sub-23 dos leões somaram cinco derrotas e dois empates. A última vitória remonta a 22 de dezembro, frente à UD Leiria, num triunfo por 2-1 que, à data, parecia poder marcar um ponto de viragem. Não marcou.


Desde então, a equipa perdeu consistência competitiva, revelou fragilidades defensivas e mostrou dificuldades em gerir momentos-chave das partidas. Para um plantel recheado de jovens internacionais e talentos apontados como futuras opções para a equipa principal, o rendimento coletivo está aquém do esperado.


Em Alvalade, a exigência é estrutural. A formação é vista como pilar estratégico do clube, não apenas como espaço de desenvolvimento, mas como laboratório de soluções reais para o plantel sénior. Quando os resultados não acompanham o potencial, a análise interna torna-se inevitavelmente crítica.


Liga Revelação: classificação preocupante


A situação torna-se ainda mais delicada quando se olha para a classificação da Fase de Apuramento de Campeão da Liga Revelação. O Sporting ocupa a oitava e última posição, com apenas dois pontos conquistados em seis jornadas.


Num contexto competitivo onde estão as melhores equipas sub-23 do país, a expectativa mínima seria discutir os lugares cimeiros. Em vez disso, os verdes e brancos lutam para sair da cauda da tabela.


Internamente, existe a convicção de que o rendimento não espelha o talento disponível. E quando essa perceção se instala, a responsabilidade recai inevitavelmente sobre a liderança técnica.


Talento individual vs rendimento coletivo


A grande questão que se coloca é simples: o problema é estrutural ou é técnico?


O plantel conta com jovens com experiência internacional nas camadas jovens, atletas que já treinaram com a equipa principal e outros que são apontados como ativos valiosos no mercado. Ainda assim, o coletivo não funciona.


Há relatos de dificuldades na organização defensiva, transições mal executadas e alguma previsibilidade ofensiva. A equipa cria, mas não concretiza com regularidade. Sofre golos em momentos de desconcentração. Perde jogos equilibrados por detalhes que, nesta fase de desenvolvimento, deveriam estar mais consolidados.


Num clube como o Sporting, onde a formação é bandeira identitária, a margem para justificar resultados negativos com “processo” é limitada. O processo tem de produzir evolução visível. E resultados.


O histórico de Filipe Neto no Sporting


Ao serviço da equipa sub-23, Filipe Neto soma 39 jogos: 13 vitórias, 12 empates e 14 derrotas. Um registo equilibrado em termos globais, mas insuficiente para sustentar tranquilidade quando o momento é de queda acentuada.


O treinador já passou também pelo escalão de juniores, o que demonstra confiança anterior da estrutura no seu trabalho. No entanto, no futebol profissional – mesmo ao nível sub-23 – a memória é curta e a avaliação é contínua.


A Direção não ignora o percurso do técnico, mas também não pode ignorar a tendência recente. E a tendência é negativa.


Frederico Varandas e a lógica da exigência


Sob liderança de Frederico Varandas, o Sporting tem procurado alinhar discurso e prática no que toca à meritocracia. A aposta na formação é estratégica, mas não é incondicional.


Quando a performance cai abaixo do padrão definido, a intervenção acontece. A história recente do clube mostra que decisões difíceis são tomadas quando a estrutura entende que o ciclo se esgotou.


Neste momento, o cenário é de avaliação intensiva. Não há confirmação oficial de ultimato, mas a mensagem interna é clara: é preciso inverter rapidamente a dinâmica.


Próximo teste frente ao Leixões pode ser decisivo


A próxima jornada da Liga Revelação coloca os leões frente ao Leixões. O encontro, agendado para 3 de março, surge num contexto de pressão máxima.


Mais do que os três pontos, estará em causa a resposta competitiva da equipa. Uma exibição convincente pode devolver alguma estabilidade. Um novo deslize poderá acelerar decisões.


No futebol de formação, o objetivo vai além do resultado imediato. Mas quando a equipa ocupa o último lugar na fase decisiva da competição, a narrativa do desenvolvimento perde força.


Continuidade em Alvalade: cenário em aberto


A grande incógnita é saber se a Direção acredita que Filipe Neto ainda tem margem para reverter o cenário. A confiança não é ilimitada e o timing pesa.


Substituir um treinador nesta fase pode representar um choque positivo ou gerar instabilidade adicional. Manter pode significar coerência com o projeto ou insistência num caminho que não está a produzir efeitos.


A decisão será estratégica e não emocional. Mas é inegável que o contexto atual fragiliza a posição do técnico.


O impacto na formação leonina


Este momento vai além de um nome. Está em causa a credibilidade do projeto sub-23 do Sporting. A equipa foi criada para funcionar como ponte entre os juniores e a equipa principal, preparando jogadores para a exigência do futebol sénior.


Se os resultados são consistentemente negativos, a confiança dos próprios atletas pode ser afetada. E isso tem repercussões no médio prazo.


A formação leonina construiu reputação internacional ao longo das últimas décadas. Manter esse padrão exige rigor, exigência e capacidade de correção rápida.


Conclusão: tempo a esgotar-se


Filipe Neto enfrenta o período mais crítico desde que assumiu os sub-23 do Sporting. A classificação na Liga Revelação, a série de jogos sem vencer e a perceção interna de que o plantel pode render mais colocam o treinador sob forte escrutínio.


A continuidade em Alvalade não está garantida. O próximo jogo poderá funcionar como ponto de viragem ou como confirmação de que o ciclo chegou ao fim.


No futebol, as oportunidades existem — mas não são eternas. Em Alvalade, o relógio está a contar.

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