Francesco Farioli marcou presença num evento organizado por uma associação sócio-cultural italiana, no Porto, onde não escondeu a felicidade que sente com o facto de ter sido recebido, na cidade, "com muito calor", dizendo mesmo acreditar que "o facto de o primeiro título de treinador ter chegado" ao leme do FC Porto "talvez não seja uma coincidência".
Em declarações reproduzidas pela edição desta quinta-feira do jornal O Jogo, o 37 anos de idade disse estar a torcer para que a conquista da I Liga tenha sido apenas "o início de um percurso bonito a fazer com este clube, com estas pessoas e com quem acompanha o FC Porto de perto, seja no estádio ou a partir de casa", e explicou o sucesso com o que se passou nos bastidores.
"Neste meio, é raro encontrar pessoas com interesses que vão além da esfera desportiva. Sinceramente, nós, no nosso clube, temos a oportunidade de ter um presidente que é um homem de cultura, um homem de grande curiosidade, que também se soube reinventar em diversas funções e trilhar um caminho extraordinário até ao momento", refletiu.
O técnico transalpino não poupou, de resto, nos elogios tecidos a André Villas-Boas, assumindo como objetivo pessoal "poder contribuir para que os seus anos de presidência sejam repletos de sucessos e resultados desportivos", até porque sente que, no emblema verde e branco, tem "a sensação real de ter chegado ao sítio certo".
"Muitas vezes disse que eu era a pessoa certa para este clube, mas deixa-me inverter a frase. Este clube era o certo para mim. Foi um encontro agradável e único no mundo do futebol. Encontrei dirigentes, o presidente - com quem construí uma relação de grande proximidade - e uma cadeia de decisão muito rápida e curta, o que é diferente do que vivi no ano passado, em Amesterdão, com o Ajax", acrescentou.
"Mesmo que jogássemos com uma camisola de cor diferente, que não fosse verde ou vermelho, saberia que era o FC Porto"
Entrando mais no plano desportivo, Francesco Farioli apontou o empate a duas bolas diante do Famalicão, em pleno Estádio do Dragão, no passado dia 4 de abril, aquando da disputa da 28.ª jornada da I Liga (com um golo 'fora de horas de Rodrigo Pinheiro), como o encontro que mais desgosto lhe deu, enquanto treinador do FC Porto.
"Foi o jogo mais feio que fizemos, que nos tirou muitas energias, e marcámos golo ao 91.º minuto, e, depois, empataram ao 99.º. Cortaram-nos um pouco o grito na garganta, mas, numa temporada, faz parte do jogo, e as emoções, por vezes, são belas, noutras, nem tanto", confessou, diante de quem o ouvia.
Já sobre a sua filosofia futebolística, que tantas críticas lhe valeu, atirou: "Entre jogar bem e jogar em equipa, escolho sempre o segundo. O meu objetivo não é ouvir dizer que somos os mais bonitos do mundo, mas sim que somos uma equipa reconhecível. Mesmo que jogássemos com uma camisola de cor diferente, que não fosse verde ou vermelho, saberia que era o FC Porto".
A terminar, disse ter como meta "deixar um legado" no futebol, "uma coisa para poucos, para os maiores": É algo para pessoas que verdadeiramente mudaram o futebol, como o Guardiola e o Cruyff, ou o Arrigo Sacchi, para mencionar um compatriota. É uma ambição grande, talvez demasiado grande para mim, agora, mas a história fica para aqueles que têm a força e a capacidade de deixar um legado".
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