O Sporting não está à espera que o mercado dite o caos. Está a antecipá-lo. A revelação feita por Bruno Andrade, comentador da CNN, esta segunda-feira, confirma aquilo que em Alvalade já se sussurra há semanas: Morita e Hjulmand estão na montra e a SAD trabalha ativamente para não ser apanhada de surpresa. Um dos nomes em cima da mesa é Breno Bidon, médio do Corinthians, uma das maiores promessas do futebol brasileiro.
A questão não é se o Sporting vai perder peças-chave no meio-campo. A questão é quando — e se vai acertar nas substituições.
Mercado não perdoa ingenuidade
O Sporting vive um paradoxo típico de clubes vendedores que querem competir: forma talento, valoriza, ganha jogos… e depois vê os pilares serem cobiçados por mercados com outro músculo financeiro. Morita tem mercado, sobretudo pela fiabilidade tática e inteligência posicional. Hjulmand é ainda mais óbvio: capitão, intensidade, liderança, leitura defensiva. Um médio moderno, pronto para ligas maiores.
Fingir que ambos são “inalienáveis” seria auto-ilusão. O Sporting sabe disso. Por isso, o movimento antecipado no mercado não é virtude — é obrigação.
Breno Bidon no radar do Sporting
Segundo Bruno Andrade, Breno Bidon é um dos perfis analisados para reforçar o meio-campo leonino. O jovem médio do Corinthians, internacional jovem pelo Brasil, é visto como um jogador de enorme margem de progressão, com qualidade técnica acima da média e personalidade para assumir jogo.
Mas convém separar entusiasmo de lucidez.
Bidon não é um produto acabado. É um projeto. E projetos custam tempo, paciência e contexto certo. O Sporting tem histórico positivo nesse campo, mas também alguns falhanços que poucos gostam de recordar.
Quem é Breno Bidon e o que realmente oferece?
Breno Bidon destaca-se pela capacidade de jogar entre linhas, qualidade no primeiro toque e visão de jogo. Não é um “trinco clássico”, nem um médio de choque. É mais cerebral do que físico, mais construtor do que destruidor.
Aqui surge o primeiro ponto crítico: Bidon não substitui diretamente Hjulmand nem Morita. O seu perfil é diferente. Logo, se o Sporting pensa nele como peça central imediata, está a correr riscos. Se o vê como parte de um meio-campo redesenhado, a conversa muda.
Sporting quer mudar o modelo ou apenas tapar buracos?
Esta é a pergunta que interessa.
Se a SAD quer replicar funções, Breno Bidon não chega. Será preciso alguém com capacidade defensiva, intensidade e maturidade competitiva. Se a ideia passa por evoluir o modelo, apostar mais em posse, construção apoiada e criatividade interior, então Bidon faz sentido — mas exige ajustes táticos e paciência dos adeptos.
E aqui entra a realidade dura: o Sporting raramente dá tempo quando os resultados falham.
O risco Brasil: talento, sim. Garantia, não.
O mercado brasileiro continua a ser fértil, mas também traiçoeiro. A adaptação à Europa, à exigência tática e à pressão constante não é automática. Muitos chegam com rótulo de promessa e ficam pelo caminho.
Bidon tem qualidade, mas não vem com manual de instruções nem garantia de sucesso. O Corinthians sabe o que tem e não vai vender barato. O Sporting terá de decidir se paga por potencial ou se procura soluções mais feitas noutros mercados.
Perder Morita e Hjulmand no mesmo mercado seria um erro?
Resposta curta: sim, seria perigosíssimo.
Mesmo com planeamento, perder dois médios nucleares de uma só vez cria instabilidade, quebra rotinas e obriga a reconstrução profunda. A não ser que o Sporting já tenha dois reforços prontos e complementares, essa operação pode custar pontos — e campeonatos.
A SAD sabe disso. Por isso, a ideia de que o clube está “preparado” deve ser analisada com cautela. Preparado no papel não significa preparado no relvado.
Estratégia ou necessidade disfarçada?
Há quem veja esta movimentação como visão estratégica. Outros como reação antecipada ao inevitável. A verdade está algures no meio.
O Sporting não tem margem para erros graves no mercado, sobretudo se quer continuar competitivo internamente e relevante na Europa. Apostar em Breno Bidon pode ser um movimento inteligente a médio prazo, mas não resolve tudo.
Se Alvalade acredita que um jovem brasileiro vai apagar de imediato a ausência de Hjulmand ou Morita, então está a subestimar a exigência da Liga portuguesa e a sobrestimar o processo de adaptação.
O que está realmente em jogo
Mais do que um nome, está em jogo a coerência do projeto desportivo. O Sporting precisa decidir se quer continuar a ser um clube que vende bem, mas arrisca ciclos de instabilidade, ou se consegue finalmente reter pilares e crescer de forma sustentada.
Breno Bidon pode ser parte da solução. Nunca o plano inteiro.
Conclusão: inteligência no radar, frieza na execução
O interesse do Sporting em Breno Bidon mostra que o clube está atento, ativo e consciente do que aí vem. Isso é positivo. Mas antecipar não chega. É preciso executar com frieza, critério e realismo.
O mercado não perdoa romantismos nem apostas mal calculadas. Se Morita e Hjulmand saírem, o Sporting terá de responder com mais do que talento cru. Terá de responder com equilíbrio, liderança e impacto imediato.
Tudo o resto é conversa bonita para janeiro.
