Renan Lodi voltou a entrar no radar do futebol europeu e, como seria expectável, os grandes clubes não ficaram indiferentes. O lateral-esquerdo brasileiro, atualmente livre no mercado após rescindir contrato com o Al Hilal, surge como potencial alvo do Benfica, mas pode estar prestes a ser “desviado” para outro campeonato europeu. A AS Roma já se movimenta e, neste momento, parece ter vantagem num dossiê que levanta mais dúvidas do que certezas para os encarnados.
A questão central não é se Renan Lodi tem qualidade — isso é inegável. A verdadeira pergunta é se o Benfica deve mesmo avançar por um jogador com histórico disciplinar irregular, salário elevado para os padrões da Luz e um percurso recente marcado por escolhas questionáveis.
AS Roma entra forte na corrida por Renan Lodi
Segundo a Sportmediaset, a AS Roma colocou Renan Lodi na sua lista de prioridades para reforçar o corredor esquerdo. O clube da capital italiana sabe que pode negociar diretamente com o atleta, sem intermediários nem custos de transferência, um fator que pesa bastante num mercado cada vez mais condicionado pelo fair-play financeiro.
Além disso, a Roma oferece um contexto competitivo mais previsível: Serie A, ambição europeia clara e um balneário onde o perfil de Lodi pode ser mais facilmente enquadrado. A presença de Mile Svilar, antigo guarda-redes do Benfica, é um detalhe secundário, mas ajuda a reforçar a ligação recente entre os dois clubes.
A verdade é simples: quando um jogador experiente fica livre, quem se mexe primeiro costuma ganhar vantagem. E a Roma já está em campo.
Benfica interessado, mas longe de estar convencido
O interesse do Benfica em Renan Lodi não é novo. O nome do internacional brasileiro já tinha sido referenciado como uma possível solução para o lado esquerdo da defesa, especialmente tendo em conta a necessidade de reforçar o plantel no mercado de inverno.
No entanto, dentro da estrutura encarnada, o dossiê está longe de ser consensual. A reputação de Lodi fora das quatro linhas, marcada por episódios de indisciplina e alguma instabilidade comportamental, levantou reservas claras junto dos responsáveis do clube.
E aqui é preciso ser direto: o Benfica não está numa posição confortável para apostar em “apostas de risco”. A margem de erro é curta, a exigência é máxima e o treinador precisa de jogadores fiáveis, não de talentos que precisam de ser “recuperados”.
Qualidade ninguém discute, mas o contexto mudou
Renan Lodi já mostrou, em vários momentos da carreira, que tem nível para jogar em grandes ligas europeias. Passou pelo Atlético de Madrid, teve impacto na seleção brasileira e oferece profundidade ofensiva, velocidade e capacidade de cruzamento acima da média.
Mas isso foi ontem. Hoje, Lodi vem de uma experiência na Arábia Saudita, onde rescindiu contrato, e chega ao mercado europeu sem ritmo competitivo comprovado ao mais alto nível. Para um clube como o Benfica, que precisa de impacto imediato, isso não é um detalhe menor — é um risco real.
A ideia de que “jogadores experientes resolvem problemas” é frequentemente romantizada. A experiência só conta quando vem acompanhada de compromisso, foco e disponibilidade física e mental.
José Mourinho quer soluções, não distrações
José Mourinho já deixou claro o que pretende para este mercado de inverno: dois extremos e um defesa-lateral. O perfil procurado não é apenas técnico, mas também competitivo. Jogadores que entrem no onze sem período de adaptação, que entendam pressão e que saibam lidar com exigência diária.
Renan Lodi encaixa parcialmente nesse perfil. Tecnicamente, sim. Em termos de mentalidade e fiabilidade, nem por isso. E Mourinho, ao contrário do que muitos pensam, não é um treinador que goste de “salvar” carreiras. Prefere atletas com fome, não com currículo.
Se o brasileiro chegasse, seria para jogar — e para ser escrutinado ao detalhe. Qualquer deslize teria impacto imediato.
Sidny Cabral ganha força nos planos encarnados
Enquanto o nome de Renan Lodi gera debate, o de Sidny Cabral ganha cada vez mais consenso. O lateral cabo-verdiano do Estrela da Amadora é visto como uma opção mais segura, mais barata e com margem de crescimento.
A sua polivalência agrada claramente a José Mourinho, que valoriza jogadores capazes de cumprir várias funções táticas. Sidny não tem o estatuto internacional de Lodi, mas oferece algo que, neste momento, pode ser mais valioso: fiabilidade e compromisso.
Num clube como o Benfica, muitas vezes a melhor contratação não é a mais mediática, mas a que menos problemas cria.
Mercado de inverno exige decisões frias
O mercado de janeiro não perdoa erros. As contratações têm de funcionar quase de imediato, e qualquer falha pode comprometer objetivos desportivos e financeiros.
Renan Lodi, apesar do nome e do currículo, representa um risco calculado — talvez demasiado elevado para um Benfica que precisa de estabilidade defensiva e não de mais um dossiê polémico.
A AS Roma, com um contexto diferente e menos pressão mediática imediata, pode ser o destino mais lógico para o lateral brasileiro. Para o Benfica, insistir pode ser mais uma questão de vaidade do mercado do que de real necessidade.
O dilema encarnado: nome grande ou encaixe certo?
No fundo, este caso resume um dilema recorrente no futebol português: apostar em nomes grandes em busca de impacto rápido ou construir soluções mais sólidas e sustentáveis.
Renan Lodi é um nome grande, sem dúvida. Mas o Benfica precisa, acima de tudo, de jogadores certos. Se a Roma avançar e fechar o negócio, talvez esteja a fazer um favor às águias, evitando uma decisão que poderia custar caro a médio prazo.
O mercado ainda vai mexer. Mas uma coisa é clara: neste momento, o Benfica parece mais prudente do que entusiasmado — e isso diz muito sobre como o dossiê Renan Lodi é visto internamente.
