Depois de um início de temporada marcado por alguma irregularidade e dificuldade em corresponder às elevadas expectativas, Georgiy Sudakov começa finalmente a dar sinais claros de afirmação no Benfica. O internacional ucraniano, contratado no verão como uma das grandes apostas da Direção encarnada, parece ter ultrapassado a fase mais delicada da adaptação ao futebol português e surge agora como uma peça cada vez mais relevante no modelo de jogo de José Mourinho.
A partida frente ao Famalicão, agendada para esta segunda-feira, 22 de dezembro, no Estádio da Luz, surge como mais uma oportunidade para o camisola 10 confirmar a tendência de crescimento e fechar o ano civil de 2025 em alta, perante os adeptos encarnados.
Um início abaixo do esperado que levantou dúvidas
A chegada de Georgiy Sudakov ao Benfica foi acompanhada de grande entusiasmo. O estatuto construído no Shakhtar Donetsk, aliado às exibições pela seleção da Ucrânia, criaram a expectativa de um impacto imediato. No entanto, os primeiros jogos com o Manto Sagrado ficaram aquém do que se esperava.
Faltava-lhe agressividade nos duelos, clareza na tomada de decisão e maior influência nos momentos de criação. Muitas vezes preso ao corredor esquerdo, Sudakov parecia previsível e distante do centro do jogo, zona onde sempre se destacou ao longo da carreira. As críticas começaram a surgir, não tanto pela falta de talento, mas pela incapacidade de o traduzir em rendimento prático.
Ainda assim, José Mourinho manteve a confiança no jogador, apostando na continuidade em vez de soluções de curto prazo.
Mudança posicional explica crescimento de rendimento
Segundo informações avançadas pelo jornal A Bola, uma das chaves para a melhoria exibicional de Sudakov tem sido a liberdade posicional concedida pelo treinador. Longe de ficar amarrado à ala esquerda, o ucraniano passou a aparecer com maior frequência em zonas interiores, aproximando-se do centro do terreno e participando mais ativamente na construção ofensiva.
Esta alteração tem permitido ao médio ofensivo explorar melhor a sua visão de jogo, capacidade de passe entre linhas e qualidade técnica em espaços curtos. O resultado é um jogador mais solto, mais confiante e, acima de tudo, mais influente nas dinâmicas coletivas do Benfica.
Não é coincidência que o crescimento de Sudakov tenha coincidido com uma fase positiva da equipa.
Sudakov ganha estatuto com números e decisões
Os dados ajudam a sustentar a perceção de evolução. Nas últimas seis partidas, Georgiy Sudakov foi sempre titular e o Benfica não conheceu o sabor da derrota. Nesse período, as águias somaram cinco vitórias e apenas um empate, no dérbi frente ao Sporting.
Mais do que estatísticas frias, o ucraniano começou a aparecer nos momentos decisivos. Frente ao Sporting, assumiu responsabilidades e marcou o golo do Benfica num jogo de alta exigência emocional. Já diante do Farense, na Taça de Portugal, foi determinante ao assistir Richard Ríos, demonstrando inteligência na leitura do lance e eficácia na execução.
São estes detalhes que começam a justificar o investimento feito e a paciência demonstrada pela estrutura encarnada.
Mourinho nunca desistiu do camisola 10
José Mourinho tem sido coerente na gestão do dossiê Sudakov. Mesmo quando o rendimento estava aquém do desejável, o técnico recusou expor o jogador publicamente ou retirá-lo do projeto. Pelo contrário, foi ajustando o contexto para potenciar as suas virtudes.
Essa abordagem reflete-se agora em campo. Sudakov mostra-se mais confiante, pede a bola, arrisca mais no último terço e assume um papel de maior protagonismo ofensivo. Para Mourinho, trata-se de um jogador que pode elevar o nível coletivo, desde que esteja confortável e mentalmente solto.
O treinador sabe que a consistência será o verdadeiro teste, mas os sinais são encorajadores.
Benfica forte quando Sudakov rende
Os resultados da equipa reforçam a importância do momento do ucraniano. Nos últimos seis jogos em que foi titular, o Benfica venceu Ajax (2-0), Nacional (2-1), Nápoles (2-0), Moreirense (4-0) e Farense (2-0), cedendo apenas um empate frente ao Sporting (1-1).
Mais do que coincidência, estes números mostram que o crescimento individual de Sudakov tem impacto direto no rendimento coletivo. Com mais qualidade entre linhas, o Benfica ganha fluidez ofensiva e torna-se menos previsível na construção.
Para uma equipa que ambiciona títulos e consistência competitiva, este detalhe é decisivo.
Famalicão como teste final de 2025
O duelo frente ao Famalicão marca a despedida do Estádio da Luz no ano civil de 2025. É um jogo simbólico e, ao mesmo tempo, estratégico. O Benfica quer fechar o ano com uma vitória, consolidar a boa fase e reforçar a ligação com os adeptos.
Sudakov surge como uma das figuras centrais desse objetivo. Dado como apto para o encontro, o médio ofensivo deverá voltar a integrar o onze inicial, com liberdade para explorar zonas interiores e desequilibrar no último terço.
Além do ucraniano, Leandro Barreiro também está disponível e entra nas opções de José Mourinho, aumentando as soluções no meio-campo encarnado.
Uma afirmação que ainda exige continuidade
Apesar do momento positivo, convém manter alguma prudência. Sudakov ainda está longe de ser um produto acabado no Benfica. A exigência é alta, a concorrência interna existe e o futebol português não perdoa oscilações prolongadas.
O verdadeiro desafio passa por manter este nível de influência ao longo de vários meses, sobretudo nos jogos de maior pressão. Só assim o camisola 10 deixará definitivamente de ser uma promessa para se afirmar como uma certeza.
Para já, o caminho parece estar traçado. E frente ao Famalicão, Sudakov tem mais uma oportunidade para provar que o Benfica acertou na aposta.
