O Benfica despediu-se do Estádio da Luz em 2025 com uma vitória magra frente ao Famalicão (1-0), na 15.ª jornada da Liga Portugal Betclic. O resultado garante três pontos e fecha o ano civil em casa com um sorriso, mas a exibição esteve longe de convencer. Num jogo complicado, travado e por vezes desconfortável, os encarnados dependeram de um momento decisivo de Vangelis Pavlidis para resolver uma partida que expôs limitações já conhecidas da equipa de José Mourinho.
O golo solitário, apontado de grande penalidade, foi suficiente para bater um adversário organizado, competitivo e sem medo de jogar na Luz. Ainda assim, o contexto geral obriga a uma leitura mais fria: o Benfica ganhou, mas não dominou. E isso diz muito sobre o momento da equipa.
Onze inicial de Mourinho confirma aposta na estabilidade — e no risco
José Mourinho apresentou um onze que confirma uma ideia clara: estabilidade acima de tudo. Trubin na baliza; Tomás Araújo e Otamendi no eixo defensivo; Dedic e Dahl nas alas; Barrenechea e Aursnes no meio-campo; Sudakov como cérebro ofensivo; Prestianni a partir da ala; Richard Ríos como elemento de equilíbrio e Pavlidis na frente.
À primeira vista, trata-se de uma equipa equilibrada. Na prática, revelou dificuldades na circulação, pouca criatividade entre linhas e uma dependência excessiva de ações individuais. O banco oferecia soluções, mas Mourinho voltou a demorar a mexer, como se estivesse mais preocupado em não perder do que em matar o jogo.
As entradas de António Silva, Rodrigo Rêgo, Franjo Ivanovic e Manu Silva deram energia, mas não alteraram o rumo do encontro. A sensação foi clara: o Benfica controlou o risco, mas nunca controlou verdadeiramente o jogo.
Primeira parte tensa e penalti decisivo de Pavlidis
O início de jogo confirmou o que muitos antecipavam. O Famalicão não veio à Luz para defender o empate. Pressionou alto, fechou espaços interiores e obrigou o Benfica a jogar por fora, onde a produção ofensiva foi previsível.
Durante largos minutos, o jogo foi morno, com posse encarnada estéril e poucas situações de perigo real. A equipa mostrou dificuldades em acelerar, falhou no último passe e revelou uma preocupante falta de desequilíbrio individual.
Aos 34 minutos, num lance algo inesperado, Otamendi sofreu falta na área e o árbitro assinalou grande penalidade. Pavlidis assumiu a responsabilidade e não vacilou. Com frieza, bateu o guarda-redes adversário e alcançou a marca simbólica dos 50 golos com a camisola do Benfica — um dado que merece destaque, mesmo num jogo pouco inspirado.
O golo desbloqueou o marcador, mas não mudou o padrão da partida.
Segunda parte expõe fragilidades ofensivas e defensivas
O Benfica entrou melhor no segundo tempo e teve, logo a abrir, uma oportunidade clara para fazer o 2-0. O remate saiu ao lado e, com ele, foi-se embora a hipótese de uma noite tranquila.
A partir daí, o jogo voltou a equilibrar-se. O Famalicão cresceu, subiu linhas e começou a explorar os espaços deixados nas costas da defesa encarnada. Trubin foi decisivo numa intervenção de alto nível, evitando o empate e mantendo o Benfica em vantagem.
Este momento é revelador: em casa, a vencer por 1-0, o Benfica acabou encostado atrás em vários períodos. Não por opção estratégica clara, mas por incapacidade de controlar o ritmo com bola.
Até ao apito final, não houve mais golos, mas houve nervosismo, gestão defensiva e pouco futebol ofensivo digno de um candidato ao título.
Pavlidis cumpre, mas não pode carregar tudo sozinho
Vangelis Pavlidis voltou a ser decisivo. Marca, assume responsabilidades e mantém uma regularidade que poucos avançados conseguem garantir. Ainda assim, é injusto — e perigoso — colocar todo o peso ofensivo nos seus ombros.
O Benfica cria pouco para um avançado deste nível. As ligações entre meio-campo e ataque são lentas, previsíveis e fáceis de anular por equipas organizadas. Sudakov tenta assumir, mas precisa de mais apoio. Prestianni ainda é intermitente. E o jogo interior continua a ser um problema estrutural.
Enquanto a solução for “ganhar por detalhes”, o risco de tropeçar mantém-se elevado.
Três pontos importantes, mas distância para o topo mantém-se
Com esta vitória, o Benfica soma 35 pontos em 15 jornadas, um registo positivo em termos absolutos, mas insuficiente quando comparado com o principal rival. A distância de oito pontos para o FC Porto continua a ser um sinal de alerta.
Ganhar em casa é obrigatório. Convencer também devia ser. A Luz exige mais do que resultados mínimos, sobretudo numa época em que o discurso de ambição tem sido forte.
O ano fecha com uma vitória, sim. Mas também com perguntas sem resposta.
O que fica deste Benfica no final de 2025?
Fica uma equipa competitiva, sólida defensivamente em vários momentos, mas longe de ser dominante. Fica um treinador experiente, pragmático, mas por vezes excessivamente conservador. E fica a sensação de que o Benfica precisa de mais coragem, mais criatividade e mais ambição com bola.
Ganhar ao Famalicão por 1-0 não é um problema. Fazer disso um padrão é.
