O debate está lançado e promete aquecer ainda mais a rivalidade no futebol português. De acordo com o Observatório do Futebol (CIES), Anatoliy Trubin é atualmente o guarda-redes mais valioso a atuar fora das cinco principais ligas europeias. O internacional ucraniano do Sport Lisboa e Benfica surge avaliado em 38,99 milhões de euros, superando Diogo Costa, referência do FC Porto, que aparece com 35,57 milhões.
Os números não deixam margem para indiferença. Mas a grande questão não é apenas quem vale mais. É perceber o que estes valores significam, como são calculados e que impacto podem ter no mercado, na estratégia dos clubes e na perceção pública.
CIES: metodologia que vai além da popularidade
O CIES não funciona como uma simples plataforma de opinião pública. A entidade baseia as suas estimativas num modelo estatístico que cruza idade, duração de contrato, minutos jogados, rendimento desportivo, histórico competitivo, contexto do clube e potencial de valorização futura.
Ou seja, não se trata apenas de talento ou reputação. Trata-se de projeção financeira.
Neste cenário, Trubin beneficia de um perfil particularmente atrativo: jovem, titular indiscutível, presença constante em competições europeias e contrato de longa duração. Para o mercado internacional, isso traduz-se em ativo seguro e com margem de crescimento.
Diogo Costa, por sua vez, já consolidado como titular da seleção nacional e com experiência acumulada na Liga dos Campeões, continua a ser uma referência. Mas a diferença no valor estimado pelo CIES sugere que o modelo estatístico vê em Trubin um potencial de valorização ligeiramente superior.
Fora das “big five”, mas no radar europeu
Importa sublinhar o contexto da análise: o ranking contempla apenas guarda-redes que atuam fora das cinco principais ligas — Premier League, La Liga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1.
Isso coloca automaticamente o campeonato português numa posição estratégica. A Liga Portugal funciona cada vez mais como plataforma de exportação. Se um guarda-redes lidera o ranking fora desse núcleo, significa que está no radar dos grandes centros financeiros do futebol.
O Benfica, historicamente especialista em maximizar ativos, vê aqui reforçada a narrativa de valorização. Já o FC Porto, tradicionalmente eficaz na venda de talentos, sabe que Diogo Costa continua a ser um nome apetecível no mercado internacional.
Hornicek entra na equação
O estudo também inclui Lukas Hornicek, do Sporting Clube de Braga, que surge na sexta posição com uma avaliação de 13,32 milhões de euros.
O valor é substancialmente inferior ao dos dois gigantes, mas a presença no ranking demonstra que o Braga continua a posicionar-se como clube capaz de desenvolver ativos competitivos.
Num campeonato onde a diferença financeira entre os três grandes e o restante pelotão é evidente, este tipo de reconhecimento funciona como selo de qualidade.
CIES vs Transfermarkt: duas leituras diferentes
Quando se comparam os números do CIES com os do Transfermarkt, as discrepâncias tornam-se evidentes.
No Transfermarkt, Diogo Costa surge avaliado em 40 milhões de euros, acima dos 28 milhões atribuídos a Trubin. Hornicek aparece com uma etiqueta de 10 milhões.
Porque é que existe esta diferença?
A resposta está na metodologia. O Transfermarkt baseia-se numa combinação de dados estatísticos, tendências de mercado e avaliações comunitárias ajustadas por especialistas. Já o CIES utiliza modelos econométricos preditivos, focados em transferências comparáveis e probabilidades futuras.
Em termos simples: o Transfermarkt reflete mais o “sentimento” atual do mercado; o CIES projeta cenários.
O que estes valores dizem sobre Benfica e FC Porto?
Para o Benfica, o destaque de Trubin reforça uma estratégia clara: apostar em juventude, dar palco europeu e vender no timing certo. O clube da Luz tem sido consistente neste modelo e um guarda-redes avaliado perto dos 40 milhões confirma que a política continua a funcionar.
Para o FC Porto, a situação é ligeiramente diferente. Diogo Costa é capitão, símbolo e produto da formação. A sua valorização elevada representa não apenas um ativo financeiro, mas também identidade. Uma eventual transferência implicaria impacto desportivo e emocional.
Em termos estratégicos, o Benfica pode ver Trubin como ativo negociável. O Porto, com Diogo Costa, enfrenta um dilema mais complexo entre estabilidade competitiva e necessidade financeira.
A valorização dos guarda-redes está a mudar
Durante décadas, guarda-redes raramente lideravam rankings de mercado. Hoje, a realidade é distinta.
O futebol moderno exige que o guarda-redes participe na construção, tenha qualidade de passe e capacidade de decisão sob pressão. O perfil mudou. O mercado acompanhou.
Trubin e Diogo Costa encaixam neste novo arquétipo: jovens, tecnicamente evoluídos e com experiência internacional. Isso aumenta o seu valor estratégico.
Entre números e realidade: quem vale mesmo mais?
Aqui entra a parte incómoda do debate. Avaliações são projeções. O verdadeiro valor será sempre definido por uma proposta concreta.
Se amanhã surgir uma oferta de 45 milhões por Diogo Costa e nenhuma por Trubin, o mercado falará mais alto do que qualquer estudo estatístico.
Por outro lado, se um gigante europeu avançar forte pelo ucraniano, o relatório do CIES ganhará peso como indicador antecipado.
A verdade é que ambos estão num patamar elevado e representam o topo da baliza em Portugal.
Impacto na narrativa mediática e na rivalidade
Num campeonato onde cada detalhe alimenta rivalidades, este tipo de ranking não é neutro. Adeptos utilizam-no como argumento. Dirigentes incorporam-no na comunicação. A imprensa amplifica-o.
Mas a discussão relevante não é clubística. É estrutural: o futebol português continua a produzir — e a valorizar — talento ao mais alto nível fora das cinco principais ligas.
Isso fortalece a imagem da Liga como mercado de desenvolvimento e exportação.
Conclusão: mais do que um ranking, um sinal de mercado
O destaque de Anatoliy Trubin como guarda-redes mais valioso fora das “big five”, segundo o CIES, não é apenas uma curiosidade estatística. É um sinal claro de como o mercado olha para a Liga Portugal.
Diogo Costa continua a ser referência consolidada. Trubin surge como ativo com projeção crescente. Hornicek representa a nova vaga.
Entre modelos estatísticos e avaliações comunitárias, o debate vai continuar. Mas há um ponto inegável: os guarda-redes do campeonato português estão entre os mais valorizados do mundo fora do núcleo financeiro dominante.
E isso, independentemente da cor clubística, diz muito sobre o nível competitivo que se pratica em Portugal.

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