O Sporting CP regressou às vitórias na Liga dos Campeões de andebol com um triunfo suado frente ao Aalborg Håndbold por 35-33, num encontro da 12.ª jornada da fase de grupos. No Pavilhão João Rocha, os leões deram uma resposta firme após a derrota anterior frente ao HBC Nantes e reacenderam a luta pelo apuramento no Grupo A.
Num jogo de alta intensidade, emoção até ao último segundo e várias oscilações no marcador, a equipa orientada por Ricardo Costa mostrou caráter competitivo, capacidade de superação e maturidade nos momentos decisivos. Mas nem tudo foi brilhante — e é precisamente aí que está o verdadeiro teste europeu do Sporting.
Sporting vence Aalborg e mantém sonho europeu vivo
A vitória por 35-33 pode parecer apenas mais um resultado positivo na caminhada europeia, mas o contexto torna-a muito mais relevante. Depois do deslize frente ao Nantes, o Sporting precisava de provar que tem estofo para competir com as principais potências do andebol europeu.
E conseguiu — mas não sem sofrimento.
A primeira parte foi marcada por erros técnicos incomuns, falhas na transição defensiva e alguma intranquilidade ofensiva. O Aalborg explorou bem essas fragilidades e chegou ao intervalo com vantagem confortável de 19-14. A diferença de cinco golos não foi obra do acaso; foi consequência direta da falta de rigor leonino.
Num cenário europeu, dar esse tipo de avanço a uma equipa dinamarquesa experiente é um risco enorme.
Primeira parte: erros, protestos e desorganização defensiva
O início do encontro mostrou um Sporting ansioso. A circulação de bola foi previsível, os remates surgiram forçados e a defesa revelou dificuldades em travar o jogo exterior do Aalborg.
Houve ainda vários momentos de contestação à arbitragem, o que desviou o foco competitivo da equipa verde e branca. Esse tipo de dispersão emocional custa caro em jogos desta exigência.
O Aalborg, mais frio e pragmático, aproveitou as falhas técnicas leoninas e castigou na eficácia ofensiva. Ao intervalo, os dinamarqueses lideravam por 19-14, expondo problemas que o Sporting não pode repetir se quer consolidar-se como presença habitual na Liga dos Campeões de andebol.
Reação na segunda parte: intensidade, carácter e liderança
A resposta leonina foi clara após o descanso. O Sporting entrou com outra atitude, aumentou a agressividade defensiva e melhorou substancialmente a eficácia no ataque organizado.
Muito do equilíbrio recuperado deveu-se às intervenções decisivas de André Kristensen, que assumiu protagonismo na baliza. Cada defesa alimentava a crença da equipa e incendiava o ambiente no Pavilhão João Rocha.
No ataque, a dinâmica tornou-se mais fluida. As combinações nos seis metros passaram a funcionar e o jogo exterior ganhou maior critério. O empate a 30-30, a cerca de 10 minutos do final, simbolizou a viragem emocional do encontro.
A partir daí, o Sporting assumiu definitivamente o controlo.
Kiko Costa decisivo: talento que faz a diferença
Kiko Costa voltou a confirmar porque é uma das maiores promessas do andebol português. Com 10 golos apontados, foi o melhor marcador dos leões e assumiu responsabilidade nos momentos críticos.
Não se limitou a marcar; liderou ofensivamente, chamou o jogo a si e mostrou maturidade competitiva acima da média. Num plantel que mistura juventude e experiência, a sua influência é cada vez mais evidente.
Do lado do Aalborg, Arnoldsen destacou-se com nove golos, mantendo os dinamarqueses na discussão até ao apito final.
Análise estratégica: o que esta vitória realmente significa?
O triunfo coloca o Sporting no sexto lugar do Grupo A, com 12 pontos somados. São agora 29 vitórias em 36 jogos oficiais esta temporada — números sólidos que revelam consistência.
Mas sejamos claros: consistência doméstica não é o mesmo que domínio europeu.
A equipa ainda revela oscilações preocupantes. Contra adversários de topo, cada falha técnica e cada momento de desconcentração são amplificados. Se o Sporting pretende dar o salto definitivo na Liga dos Campeões de andebol, precisa reduzir drasticamente erros não forçados e melhorar a estabilidade emocional.
O talento existe. A intensidade também. Falta transformar potencial em controlo absoluto.
Liga dos Campeões de andebol: Sporting ainda depende de si
A vitória sobre o Aalborg não garante nada por si só, mas mantém o Sporting vivo na luta pela qualificação. A margem de erro continua reduzida e os próximos jogos serão determinantes.
Em competições deste nível, detalhes fazem campeões e eliminados. Gestão de esforço, profundidade do plantel e eficácia nos momentos-chave serão fatores críticos nas jornadas finais.
O projeto europeu do Sporting está num ponto de viragem: ou consolida crescimento sustentado ou fica preso ao estatuto de equipa competitiva, mas irregular.
Foco agora no campeonato nacional
Depois da batalha europeia, o Sporting vira atenções para as competições internas. Segue-se o confronto frente ao Vitória SC, orientado por Nuno Santos, em partida marcada para as 15h00 do próximo domingo, novamente no Pavilhão João Rocha.
Este tipo de jogo pode parecer menos mediático, mas é precisamente aqui que se mede a maturidade de um candidato ao título. Manter intensidade após uma noite europeia exigente é sinal de equipa grande.
Rotação inteligente, gestão física e foco competitivo serão essenciais para evitar surpresas.
Conclusão: vitória importante, mas exigência aumenta
O triunfo por 35-33 frente ao Aalborg foi justo e merecido. O Sporting demonstrou capacidade de reação, qualidade individual e força coletiva. No entanto, a primeira parte expôs fragilidades que não podem ser ignoradas.
A Liga dos Campeões de andebol não perdoa equipas que entram a meio gás. Se os leões querem afirmar-se entre a elite europeia, precisam de consistência durante 60 minutos, não apenas 30.
O talento está lá. A ambição também. Agora é uma questão de execução.
A época ainda está aberta. Mas o nível de exigência subiu — e quem quer crescer na Europa não pode aceitar menos do que excelência contínua.

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