Manuel e Pedro Mendes, pai e filho, suspeitos da morte de Fernando Cunha, de 45 anos, na segunda-feira em São Pedro da Cova, Gondomar, foram esta quarta-feira ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, e foi-lhes aplicada a medida de coação de prisão preventiva. Os dois homens foram levados para a cadeia de Custóias, em Matosinhos. Pai e filho estiveram a ser ouvidos durante toda a tarde. Terá sido Pedro Mendes a efetuar os disparos que atingiram a vítima.
À porta do tribunal, à chegada dos suspeitos, estiveram familiares tanto da vítima como dos agressores, que não calaram a revolta e lhes chamaram de "assassinos", tendo havido um momento mais tenso que envolveu as duas famílias. As duas referem as mensagens que envolveram o filho da vítima e a filha do agressor como o motivo do crime, mas descrevem os acontecimentos de maneiras diferentes. "O meu primo recebeu uma chamada do Senhor Manuel Mendes a dizer que ou ele ia à casa dele para tratarem do assunto ou então era ele a ir à casa do meu primo e que não o ia deixar em paz. Nem a ele, nem ao filho. O meu primo depois de receber esse telefonema saiu do trabalho e foi a casa buscar a companheira e dirigiu-se a casa do senhor Manuel. Mal o meu primo saiu da carrinha já lhe estavam a bater. Não lhe deram tempo, não lhe deram hipótese para nada. O objetivo era ele chegar ali para lhe baterem", disse uma prima da vítima ao Correio da Manhã. Por outro lado, a irmã de Manuel Mendes, um dos suspeitos, diz que o irmão foi provocado em casa. "O que estavam a fazer com a minha sobrinha era bullying, ela é portado de uma deficiência que todos têm conhecimento. O senhor que acabou por falecer quando chega lá era bater à minha sobrinha. Ele andou a mandar mensagens ao meu irmão a dizer que ia fazer mal a todos da família. Foi ele que chegou lá com um taco. Não estou a tirar a culpa ao meu irmão, mas ele estava na casa dele", explicou a irmã do suspeito de 53 anos.
As duas famílias estão ainda em choque. Depois do crime que envolve também o filho, de 31 anos, Manuel Mendes ligou à família a contar o que tinha acontecido. "Ele ligou a cada um dos irmãos e disse que tinha desgraçado a vida. Eu não queria acreditar, nem sabia que o meu irmão tinha uma arma em casa. A nossa família está desfeita", contou a irmã emocionada. Também a família de Fernando Cunha diz estar a viver um pesadelo. "O meu primo era muito boa pessoa. Era trabalhador, ajuda todos e por isso todas as pessoas gostavam dele. O filho dele está destruído. Ele sente-se culpado e está a ser muito complicado", concluiu a prima. O funeral de Fernando Cunha vai realizar-se esta quinta-feira, pelas 16h30, na Capela Mortuária de Fânzeres, Gondomar.
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