Debast fora até 2026: erro de planeamento ou incompetência verde?

 


A lesão que virou uma dor de cabeça em Alvalade


O Sporting esperava que Zeno Debast fosse um dos pilares imediatos do projeto de Rui Borges. Chegou com estatuto, foi titular absoluto desde o primeiro dia e carregava o peso de ser uma aposta estratégica, não apenas técnica. Hoje, o cenário mudou para um desconforto que vai além da mera ausência temporária.


O internacional belga, lesionado há quase um mês, continua dependente de muletas e, segundo novas informações, pode voltar à competição apenas em 2026. Ou seja: o Sporting poderá atravessar o período mais exigente da temporada sem o defesa que custou uma forte aposta financeira e que seria peça-chave em jogos de alta intensidade europeia e nacional.


Mais do que “má sorte”, isto revela que o clube subestimou o risco físico de um jogador que chegava de uma época longa, com desgaste emocional e físico no Anderlecht e obrigações internacionais. Houve confiança na capacidade de adaptação, mas pouca margem de segurança na construção do plantel.



Porque o uso de muletas preocupa (mesmo que seja “preventivo”)


Segundo informações divulgadas, as muletas utilizadas por Debast servem apenas para evitar carga sobre o joelho. Logo, teoricamente, não significam agravamento da lesão. Contudo, o problema está noutra dimensão: se é necessário evitar peso por tanto tempo, significa que não há sequer uma previsão segura de evolução. E sem previsão, não há planeamento técnico possível.


Cada semana em muletas é uma semana perdida em reabilitação funcional, e cada semana perdida retarda a fase seguinte de recuperação. Em termos simples: quanto mais se usa o método preventivo, mais distante fica o regresso ao treino e mais incerto se torna o retorno competitivo.


O Sporting pode até explicar o caso como “normal”, mas isso não apaga o impacto real: Debast está parado numa fase em que devia estar a consolidar ritmo, rotinas e entendimento com a linha defensiva. Isso afeta a equipa tanto quanto a lesão em si.



Calendário brutal expõe a fragilidade do plantel


Parece evidente que o Sporting não calculou bem a profundidade necessária para enfrentar o ciclo que agora se aproxima: jogos de três em três dias, incluindo confrontos contra Club Brugge, Bayern Munique e Benfica. Debast seria titular em todos.


Sem ele, Rui Borges terá de escolher entre:

Adaptar laterais a centrais

Sacrificar jovens sem maturidade competitiva

Forçar minutos em jogadores que estavam previstos para rotação


Nenhuma opção é confortável. E este é o ponto: a lesão de Debast revela um plantel mais curto do que se supunha. A equipa técnica está agora à mercê da resposta física do grupo, justamente na fase em que deveriam existir alternativas sólidas.



Um problema que afeta a estratégia — não apenas os 90 minutos


Debast não foi contratado pela sua projeção apenas presente, mas futura. Avaliado em 30 milhões de euros, o belga representava ativo estratégico, valorizável e vendável. Uma paragem longa compromete o crescimento desse ativo, atrasa o retorno financeiro e extingue a expectativa de valorização acelerada.


Se o defesa regressar apenas em 2026, qualquer negociação futura será prejudicada até final da época. O Sporting não poderá vender, valorizar ou capitalizar o jogador no mercado. Um ativo parado equivale a dinheiro congelado — e clubes portugueses não podem dar-se ao luxo de congelar milhões.



As estatísticas mostram o peso da ausência


Antes da lesão, Debast já tinha acumulado 13 jogos oficiais e 855 minutos, sem golos ou assistências, mas oferecendo aquilo que não está nos números:

Saída de bola qualificada

Inteligência posicional

Segurança nas coberturas

Capacidade de pressão alta sem desorganização


A sua ausência afeta a forma como a equipa defende e como inicia o ataque. Sem um central capaz de construir, Rui Borges perde segundos preciosos na saída de bola, tornando o Sporting previsível e mais vulnerável à pressão adversária.



Mais do que recuperar Debast, o Sporting precisa de recuperar controlo


A questão crucial não é “quando Debast volta”. É: qual o plano do Sporting para não depender dele?

Até agora, a resposta parece inexistente.


Se o clube não reagir, vai entrar nos meses decisivos refém de improvisos. O mercado de inverno aproxima-se e será um teste real à estrutura:

Haverá coragem de investir rapidamente?

O clube vai admitir publicamente a falha de planeamento?

Estamos perante um problema pontual ou estrutural?


Ignorar o que os próximos jogos podem expor não é uma opção. A ausência de Debast tornou-se mais do que um contratempo físico — é um alerta competitivo.



Conclusão: um imprevisto que obriga a decisão


As notícias sobre a recuperação lenta de Zeno Debast não apenas incomodam o Sporting: expõem fragilidades internas que estavam disfarçadas pelos resultados. A equipa técnica precisa de respostas imediatas, e a direção precisa de agir antes de ser forçada a fazê-lo.


O Sporting apostou alto num central que só deverá voltar em 2026. Agora, o clube terá de provar se é capaz de proteger o investimento e, sobretudo, a competitividade da equipa.


E a pior escolha que o Sporting pode fazer neste momento é esperar.

Enviar um comentário

0 Comentários