O Benfica respira depois de garantir a passagem à fase seguinte da Taça de Portugal, mas não há espaço para celebrações. José Mourinho já virou a página e está com os olhos fixos na Liga dos Campeões, onde um duelo de vida ou morte com o Ajax pode definir o destino europeu das águias. A principal incógnita do treinador? O estatuto de Georgiy Sudakov, o reforço que chegou para ser protagonista, mas que agora luta para provar novamente que merece a titularidade.
Enquanto o clube festeja, o Special One cogita mudanças estruturais que podem colocar o internacional ucraniano numa encruzilhada tática. Há mérito, ambição e qualidade na mesa, mas também limitações, opções forçadas e exigências estratégicas. Em Amesterdão não há margem para erros, e Mourinho sabe que nem todos vão caber dentro da sua ideia de jogo para sobreviver na Europa.
Sudakov recupera protagonismo, mas enfrenta dilema táctico de Mourinho
Georgiy Sudakov foi poupado ao jogo da Taça frente ao Atlético, e isso levantou suspeitas. Não se tratou de desconfiança, mas sim de gestão física. Segundo avançou o Record, o Benfica aguarda a recuperação total do médio ucraniano, que pretende estar apto para disputar uma vaga no onze para o decisivo confronto europeu.
O problema não é a forma do jogador, mas sim a exigência da estratégia. Sudakov foi contratado para ser pensador, criativo, aquele que rompe linhas e dá verticalidade. Porém, o último jogo mostrou que Mourinho está disposto a sacrificar estética e criatividade em prol de estabilidade defensiva.
Ao apresentar uma linha de três centrais, o treinador chamou atenção para a importância da segurança defensiva e do controlo emocional. O Benfica parece ter deixado o “romantismo” de lado para se adaptar a uma guerra física e tática imposta pelo calendário europeu. Sudakov, acostumado a um papel ofensivo, pode ser vítima dessa mudança.
A ferida Lukebakio altera o jogo… e mexe com o futuro do ucraniano
A ausência de Dodi Lukebakio é um ponto-chave na equação. O extremo foi operado a uma fratura no tornozelo esquerdo, deixando o plantel com pouquíssimas soluções num setor onde velocidade e imprevisibilidade são essenciais. Foi precisamente esta falta de opções que empurrou Mourinho para uma alteração profunda da equipa frente ao Atlético.
Sem Lukebakio, as alas perdem capacidade de agressão, e o Benfica perde profundidade. Para compensar, Mourinho optou por povoar o meio, criar superioridade defensiva e matar o jogo na contenção. É uma escolha lógica quando não se pode atacar pelos corredores com a mesma qualidade.
Aqui está o nó: se faltar velocidade pelos flancos, Sudakov terá menos liberdade e menos espaço entre linhas. O treinador pode simplesmente não querer um criador a mais num jogo onde o risco pode custar milhões. Contra o Ajax, tudo indica que o Benfica será exigido a sofrer, e nem todos os criativos sobrevivem em ambientes hostis.
Ajax-Benfica: um jogo para gladiadores, não para artistas
Amesterdão não será palco para brilho individual. A partida promete tensão, luta por segundas bolas, controlo emocional e batalhas táticas. Mourinho sabe que o Ajax, mesmo em fase instável, tem um estádio que empurra e jogadores jovens que não temem arriscar em bloco. O Benfica não pode ir para lá aberto como nos tempos recentes; precisa de disciplina, linhas juntas e brutalidade competitiva.
Nesse tipo de jogo, figuras como Kokçu, Florentino e João Neves — médios com características de combate — ganham relevância. Sudakov, com talento para inventar espaços, pode até ser solução, mas apenas se Mourinho acreditar que o Benfica terá bola suficiente para usufruir da sua criatividade. Caso contrário, não haverá tempo para passes verticais, apenas para sobrevivência.
Mourinho pensa como um general: não coloca artistas no meio de batalha sem couraça. E é exatamente esse o teste que Sudakov precisa de superar — mostrar que pode ser criativo, mas também soldado.
Mourinho confronta o plantel: exigência máxima antes da Champions
A imprensa revelou ainda que o treinador confrontou a equipa pelas atitudes no jogo frente ao Atlético. Não pelas falhas técnicas, mas pela postura. Mourinho exige disciplina, agressividade, concentração absoluta e responsabilidade competitiva. A mensagem é clara: quem não estiver preparado mentalmente para morrer em campo, fica fora.
Esse aviso não foi dirigido apenas a suplentes ou jovens. Foi para todos. Inclusive para Sudakov. Talento não compra imunidade com Mourinho, apenas aumenta a cobrança.
O que está realmente em causa com Sudakov
Não é apenas uma decisão técnica. É a mensagem que vai marcar a época:
• Se jogar, Mourinho indica que quer dominar com bola e arriscar criatividade.
• Se ficar no banco, o treinador prioriza sobrevivência e compactação total.
Em ambos os casos, Sudakov terá de mostrar que é mais do que um reforço brilhante: precisa de ser útil quando o jogo se torna feio. Quem quer ser pilar de uma equipa portuguesa na Champions tem de aguentar pancada, correr sem bola e defender como cão de guarda.
Futebol moderno mata os românticos que não querem sujar as mãos. Mourinho quer soldados, não príncipes.
Conclusão: Sudakov tem de provar que é indispensável quando o Benfica sofre
A possível titularidade frente ao Ajax não será um prémio. Será um teste de guerra. O ucraniano tem talento para ser estrela, mas precisa de mostrar que também pode ser operário de trincheira. A Liga dos Campeões não perdoa quem só quer brilhar — só premia quem aguenta, corre e luta.
Mourinho preparou o terreno. Agora, Sudakov tem de responder.

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