O Benfica venceu o Atlético por 2-0, num jogo que, apesar do resultado confortável, voltou a expor um problema que se arrasta há meses: Franjo Ivanovic continua longe de justificar os 22,5 milhões de euros investidos na sua contratação. Titular ao lado de Vangelis Pavlidis, o avançado croata voltou a desaparecer em campo, somando mais uma exibição insípida que terminou com a sua substituição ao intervalo. A paciência de José Mourinho parece ter chegado ao limite e a vida do camisola 9 no Estádio da Luz está cada vez mais complicada.
Aposta milionária de Rui Costa sem retorno
Quando Rui Costa decidiu avançar para a contratação de Ivanovic, o argumento era claro: garantir ao Benfica um avançado jovem, com margem de progressão e perfil europeu, capaz de competir de imediato pelo lugar no onze. O croata chegava com estatuto de promessa e números interessantes no futebol da Europa de Leste. A ideia era formar uma dupla temível, alimentada pelos criativos encarnados e pelas constantes investidas laterais de Di María e companhia.
O problema? A transição nunca aconteceu. O Benfica investiu alto num jogador que, até agora, tem demonstrado dificuldades básicas de adaptação: incapacidade de se posicionar entre linhas, dificuldade em atacar espaços, lentidão de decisão e uma notória falta de química com os médios. Tecnicamente competente, mas longe de ser agressivo ou intenso como se exige a um ponta de lança das águias. Resultado: o investimento não está a render.
Mourinho deu oportunidades, mas Ivanovic não reage
É fácil culpar o treinador quando um jogador não evolui. Mas, neste caso, a história é outra. José Mourinho não só manteve Ivanovic no plantel como lhe ofereceu mais oportunidades do que os seus números justificavam. Testou-o como referência ofensiva, como segundo avançado, como falso extremo e até como apoio a Pavlidis. Nenhuma experiência resultou.
O jogo frente ao Atlético, para a Taça, era a oportunidade perfeita: adversário acessível, contexto favorável, equipa com espaço e tempo para arriscar. Ivanovic falhou redondamente. Pouco agressivo, sem mobilidade e incapaz de ganhar duelos diretos, deixou em aberto uma pergunta óbvia: o problema é falta de confiança ou falta de qualidade para o nível exigido?
O Special One terá tirado conclusões. A forma como o croata encarou o jogo não agradou ao treinador. Não bastou ser discreto: foi passivo, previsível e pouco combativo. E isso, para Mourinho, é imperdoável.
Falha de adaptação também na seleção croata
A justificação de “falta de minutos” ou “pouca confiança” cai por terra quando se olha para o desempenho do jogador na seleção croata. Mesmo sem a pressão do Manto Sagrado, Ivanovic também tem sido criticado no seu país. O padrão repete-se: baixa intensidade, pouca influência no jogo coletivo e dificuldade em assumir protagonismo.
Quando um jogador falha no clube e na seleção ao mesmo tempo, o problema deixa de ser circunstancial. Passa a ser estrutural.
Números que desmontam a ilusão
Ivanovic disputou, até ao momento, 19 jogos oficiais pelo Benfica, somando 833 minutos e apenas quatro golos. Não são números miseráveis para um suplente, mas são insuficientes para uma contratação milionária e para quem devia disputar a titularidade.
Para um clube que se habituou a ter referências ofensivas avassaladoras, como Cardozo, Jonas ou Darwin Núñez, Ivanovic parece um corpo estranho. Falta-lhe explosão, personalidade e fome de golo. Parece querer ser um avançado técnico, quando o Benfica precisa de um matador.
O erro pode estar fora de campo
A responsabilidade não é apenas do jogador. Há uma falha clara na estratégia de recrutamento. O Benfica quis apostar num “diamante por lapidar”, mas esqueceu-se de que um clube com ambição europeia não tem tempo para educar avançados imaturos. A equipa precisava de impacto imediato, não de uma promessa para daqui a dois anos.
Um jogador de 22,5 milhões tem de chegar para ser decisivo — ponto final. A ideia de “crescimento a médio prazo” só faz sentido com jogadores baratos, não com investimentos pesados. O Benfica arriscou à grande e, até agora, perdeu.
Futuro na Luz em cheque
Neste momento, Ivanovic não só perdeu espaço como está claramente atrás de Pavlidis e de qualquer solução alternativa no banco. Mourinho já terá percebido que o croata não encaixa no modelo e não acrescenta agressividade ofensiva.
Se não houver uma reviravolta urgente, o cenário é evidente: em janeiro ou no verão, Ivanovic pode ser emprestado ou vendido abaixo do valor de compra, com o Benfica a assumir a perda financeira.
Conclusão: o Benfica precisa de decisões duras
Ivanovic é o símbolo de um erro estratégico recente: o clube não pode continuar a comprar promessas caras esperando que o ambiente da Luz as transforme em craques. O futebol exige assertividade, não esperança. Rui Costa quis antecipar o futuro, mas acabou a comprometer o presente.
A falta de rendimento dentro de campo não é apenas um problema individual de um jogador que não correspondeu. É um alerta: o Benfica precisa de recalibrar as suas prioridades no mercado, focando-se no impacto imediato em vez de sonhos caros e incertos.
A verdade é simples: ou Ivanovic acorda — e depressa — ou acabará como mais uma nota negativa num relatório de transferências milionárias que nunca justificaram o preço. E, em clubes grandes, a paciência acaba sempre antes do tempo que o jogador acha que precisa.

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