Rui Costa Mantém Poste Polaco: Reforço Estratégico ou Aposta Barata?

 


O Benfica já tomou uma decisão estratégica sobre o futuro de Aleksander Dziewa. O rendimento do poste polaco impressionou a estrutura encarnada, com Rui Costa a aprovar a sua continuidade como peça-chave para a próxima temporada. A escolha não surge como mera formalidade: o basquetebolista está a transformar-se num ativo de valor competitivo e numa aposta clara para o crescimento da modalidade no Clube da Luz.



Aleksander Dziewa: a aposta que rendeu dentro de campo


Contratado no verão de 2025 e com vínculo até junho de 2026, Dziewa chegou a Lisboa como um nome que levantava curiosidade, mas não garantia certezas. A transição de jogadores polacos para o basquetebol ibérico nem sempre resulta, e o Benfica não se podia dar ao luxo de arriscar sem critério. No entanto, o camisola 11 tratou de desfazer dúvidas rapidamente.


O poste, que também pode desempenhar funções de extremo, soma 12 jogos oficiais, 136 pontos e 12 assistências, participando em média 20 minutos por partida. Mesmo sem ostentar números de superestrela, o seu impacto vai muito além das estatísticas — e é exatamente isso que tem encantado Norberto Alves e toda a equipa técnica.


Dziewa trouxe robustez defensiva, inteligência tática, leitura de espaços e um jogo de costas para o cesto que tem dado profundidade ao ataque encarnado. A sua presença no cinco inicial em várias partidas demonstra confiança do treinador… e resposta em campo.



O peso da decisão do Benfica: estratégia e visão


Não é segredo que o basquetebol encarnado quer crescer — não apenas para dominar a Liga Betclic, mas para melhor se apresentar nas provas europeias. Nesse contexto, a continuidade de Dziewa não é apenas uma renovação de contrato; é uma afirmação de ambição.


Em vez de trocar jogadores ao ritmo de tentativas e erros, o Benfica opta por construir um projeto sólido, sustentado em atletas com margem de evolução e capacidade de agregar taticamente. Dziewa encaixa nesse modelo: tem experiência no EuroBasket, maturidade competitiva e ainda espaço para crescer em Portugal.


Manter o polaco é investir continuidade, identidade e consistência. A mensagem para o balneário é clara: o rendimento pesa mais do que nomes sonantes.



O discurso que deixou marca: ambição e compromisso


Quando chegou, o poste polaco deixou uma promessa forte aos adeptos:


“Mal posso esperar por chegar a Lisboa e jogar num clube tão lendário como o Benfica. Vou dar tudo o que puder para continuarmos a vencer. Estou ansioso por vos encontrar nos pavilhões e viver experiências incríveis na nova época.”


Foi um discurso típico de apresentação? Sim. Mas o detalhe que importa não é o que ele disse — é que ele tem feito exatamente aquilo que prometeu. A postura combativa, a dedicação em treino e a entrega constante nos jogos mostram que o Benfica não contratou um jogador à procura de férias douradas em Portugal, mas sim um competidor disposto a evoluir num contexto maior.


O clube precisa de atletas com fome. Dziewa tem fome.



A influência de Norberto Alves: desenvolvimento individual como arma coletiva


Norberto Alves tem sido determinante. Ao contrário de outras épocas em que o Benfica dependia de individualismo para resolver problemas, o técnico atual aposta num sistema coletivo, com funções bem definidas e jogadores educados para cumprir papéis.


Dziewa destacou-se justamente porque compreendeu a mecânica da equipa. Ele não força protagonismos, não procura estatísticas artificiais. Faz o que tem de fazer: bloqueios inteligentes, domínio do ressalto, agressividade interior, circulação de bola e um lançamento médio que tem surpreendido adversários.


Há mérito no jogador, mas há também mérito num treinador que sabe potenciar recursos. A continuidade de Dziewa é igualmente a continuidade de um modelo.



Desafio para 2026: mostrar que pode ser mais do que “útil”


Apesar do impacto positivo, Dziewa ainda não está no patamar dos craques que decidem jogos grandes. É útil, competitivo, disciplinado, decisivo em determinadas fases… mas o Benfica precisa que evolua para uma figura influente em momentos críticos.


Se quer deixar de ser apenas um reforço valioso e tornar-se um nome histórico no basquetebol encarnado, terá de:

assumir mais responsabilidade ofensiva no poste baixo;

ser mais agressivo na disputa do ressalto;

ganhar autonomia na criação de jogadas;

elevar a liderança defensiva.


O potencial existe, mas a ambição não pode ser mediana. A estrutura do Benfica aposta nele porque enxerga que pode fazer mais — e porque exige que faça mais.



Conclusão: uma renovação que é mais do que uma assinatura


A decisão de manter Aleksander Dziewa não é mero agradecimento por uma boa estreia. É um ato de gestão inteligente, alinhado com objetivos maiores. O Benfica precisa de estabilidade competitiva, de atletas que entendam o projeto e que sejam peças evolutivas, não descartáveis.


O polaco chegou motivado, respondeu com desempenho e ganhou confiança. Agora, tem de corresponder às expectativas aumentadas. O Benfica está a crescer no basquetebol, e quem ficar no barco tem de remar mais forte — especialmente quem veste o Manto Sagrado pela primeira vez e já conquistou espaço.


Dziewa fica. O trabalho duro também tem de ficar. A próxima época vai provar se ele é apenas uma boa aposta… ou um pilar do basquetebol encarnado.

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