Taça de Portugal: Benfica só quer adversários fracos? Estratégia ou medo?

 


O Benfica chega aos oitavos-de-final da Taça de Portugal com dois triunfos sólidos fora de portas, ambos por 2-0, diante de Chaves e Atlético. Os números são limpos, a execução foi objetiva e o impacto de José Mourinho começa a notar-se: menos floreado, mais estratégia e um foco total no resultado. Agora, com o sorteio marcado para terça-feira, 25 de novembro, às 14h30, na Cidade do Futebol, os encarnados encaram um momento decisivo, não apenas de sorte, mas de ambição real no rumo da prova rainha.


A ronda não traz apenas curiosidade. Expõe também uma verdade óbvia: o Benfica quer fugir das armadilhas. Sejam elas rivais históricos, deslocações desgastantes ou adversários matreiros da Liga Portugal Betclic.



Quem o Benfica quer evitar


O conjunto de Mourinho sabe exatamente o que pretende evitar: confrontos com Sporting, Porto e Braga, bem como deslocações a estádios difíceis em clima de inverno, que desgastam mais a equipa do que o adversário.


Na lista dos possíveis adversários — AFS, Casa Pia, Vitória de Guimarães, Famalicão, Sporting, Porto, Santa Clara, Braga, Lusitano de Évora, Leiria, Torreense, Vila Meã, Fafe, Farense e Caldas — há dois grupos totalmente distintos. O primeiro concentra os emblemas de Liga Portugal Betclic, capazes de virar um jogo num lance ou numa bola parada. O segundo junta equipas com menor poder mediático, mas com a motivação de quem encara o Benfica como o jogo da época.


A estratégia é clara: evitar fogueiras desnecessárias quando o calendário já exige demasiado.



Os adversários ideais: quem seria “um sorteio perfeito”?


Nesta fase, Mourinho sabe que a Taça se vence nos detalhes. Os chamados “sorteios ideais” não são necessariamente jogos fáceis, mas são confrontos que permitem rotação inteligente e controlo emocional. Entre os melhores cenários para os encarnados estão:

Vila Meã (Campeonato de Portugal)

Lusitano de Évora, Fafe e Caldas (Liga 3)

Leiria, Torreense e Farense (Liga 2)


Qualquer um destes embates interessa ao Benfica por três razões simples:

1. Menor pressão competitiva do adversário.

2. Possibilidade de gerir desgaste físico, especialmente de jogadores que Mourinho tem protegido.

3. Maior probabilidade de controlar o jogo desde cedo, evitando riscos desnecessários.


A Taça não se ganha com romantismo; vence-se com estratégia, evitando adversários que possam transformar 90 minutos num duelo emocional.



Os desafios mais arriscados


Do lado oposto da balança estão os clubes da Liga Portugal Betclic. Mesmo equipas sem o mediatismo de Sporting ou Porto, como Santa Clara, Vitória de Guimarães ou Famalicão, podem tornar um jogo da Taça numa batalha física e tática.


A gestão emocional e a disciplina tática serão determinantes. Mourinho conhece melhor do que ninguém o perigo de jogos “traiçoeiros”. Um relvado pesado, um estádio mais pequeno, um adversário que só pensa em defender… e bastará um erro para transformar um domínio total numa tragédia desnecessária.



Benfica na Taça: o impacto Mourinho já se nota


A caminhada encarnada até aqui foi marcada pelo pragmatismo. Frente ao Chaves, um 2-0 sem discussão, com bis de Vangelis Pavlidis, provou a eficácia do novo capítulo ofensivo do clube. O grego funciona, e Mourinho sabe explorá-lo.


Nos 16 avos, contra o Atlético, a vitória por 2-0 trouxe um sinal importante: os golos surgiram mais tarde, aos 73’ (Richard Ríos) e aos 77’ (Pavlidis, de penálti). Isso diz tudo sobre a nova mentalidade. Não há desespero, não há pressa, não há necessidade de encantar. Há prioridade máxima no controlo e na vitória.


O treinador não quer espetáculo gratuito; quer títulos. O Benfica há muito que precisava dessa mentalidade.



Por que o sorteio influencia o futuro da época?


A Taça não é prioridade única, mas entra agora numa fase em que tudo o que não for planeamento cirúrgico pode custar caro. Os encarnados enfrentam desafios simultâneos:

Competição europeia.

Campeonato com rivais diretos competitivos.

Plantel que ainda está a ajustar dinâmicas específicas de Mourinho.


Um sorteio equilibrado significa gestão inteligente de esforço, e essa gestão pode decidir troféus. Mourinho não foi contratado para criar boas exibições: foi contratado para disputar títulos até ao fim. E isso começa com decisões que acontecem fora de campo, ainda antes de a bola rolar.



Conclusão: Taça exige ambição e cálculo


O Benfica chega aos oitavos com um perfil diferente: mais frio, mais firme e mais preparado para ganhar do que para agradar. O sorteio desta terça-feira pode parecer apenas uma formalidade, mas para quem observa a época com ambição real, é um momento chave. Não se trata de fugir de desafios; trata-se de escolher batalhas.


A Taça de Portugal é uma prova de resistência mental e estratégica. Até agora, Mourinho está a jogar como quem sabe que não pode desperdiçar energia com problemas evitáveis. O próximo adversário dirá se o Benfica terá caminho aberto ou se vai ter de provar cedo demais que quer o troféu.


Não há espaço para ingenuidade. Há espaço para vencer. E isso, no Benfica de Mourinho, já está bem definido.

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