O Benfica entra na segunda metade da temporada com uma novidade que, na prática, vale tanto como uma contratação cirúrgica de inverno. Alexander Bah está recuperado da grave lesão no joelho, tem regresso aos relvados previsto para o início de janeiro e volta a integrar as opções da equipa técnica. Depois de quase um ano afastado, o internacional dinamarquês regressa num momento crítico, em que as águias disputam tudo e já sentiram, na pele, os limites de um plantel curto em determinadas posições.
Não há romantismo aqui: o Benfica precisa de Bah. Precisa da sua intensidade, da sua fiabilidade defensiva e, sobretudo, da sua capacidade de dar profundidade ao corredor direito. O resto são narrativas acessórias.
Um regresso que muda a gestão do plantel
A recuperação total de Alexander Bah é uma excelente notícia para o departamento médico, mas é sobretudo um alívio para a equipa técnica. Até agora, Amar Dedic tem assumido praticamente sozinho as responsabilidades do lado direito da defesa. Cumpriu, esforçou-se, mas a sobrecarga era evidente e o risco de quebra física estava sempre latente.
Com Bah de volta, o Benfica ganha margem de manobra. Rotação real. Competição interna. Descanso programado. Em vez de adaptar jogadores ou esticar limites, o treinador passa a ter duas soluções credíveis para a mesma posição. Num calendário congestionado, isto não é detalhe — é sobrevivência competitiva.
Mais do que isso, Bah oferece características diferentes: é mais agressivo na pressão, mais vertical na saída e mais rotinado em jogos de alta exigência. A presença do dinamarquês permite ajustar planos de jogo sem comprometer o equilíbrio defensivo.
A longa espera desde a noite fatídica na Luz
O último jogo de Alexander Bah com o Manto Sagrado continua bem vivo na memória dos adeptos. Foi a 8 de fevereiro de 2025, na receção ao Moreirense, num encontro que terminou com vitória por 3-2, mas que deixou um sabor amargo. O lateral saiu aos 34 minutos, lesionado, sendo substituído por António Silva. Na altura, poucos imaginavam que esse momento marcaria quase um ano de ausência.
A lesão no joelho foi grave, exigiu cirurgia, meses de recuperação e uma abordagem cautelosa. O Benfica optou pelo caminho mais seguro, mesmo sob pressão competitiva. Não houve precipitações, nem regressos apressados para “tapar buracos”. Essa decisão pode agora revelar-se decisiva para o rendimento do jogador no futuro imediato.
Alexander Bah não é promessa, é realidade
Convém lembrar um ponto que muitos ignoram convenientemente: Alexander Bah não é um jovem em formação nem um projeto a médio prazo. É um jogador feito. Desde que chegou ao Clube da Luz, construiu um percurso sólido, sem ruído excessivo, mas com impacto real.
Em 103 jogos oficiais pelo Benfica, soma cinco golos e 13 assistências — números relevantes para um lateral-direito que nunca foi apenas decorativo no ataque. Mais importante do que as estatísticas é a regularidade exibida antes da lesão. Bah era titular indiscutível não por falta de alternativas, mas porque entregava rendimento.
O seu valor de mercado, fixado nos 9 milhões de euros, reflete essa estabilidade. Não é inflacionado por hype, mas sustentado por rendimento, títulos e contexto competitivo.
Um “reforço” que chega sem custos… mas com exigência
Internamente, o regresso de Bah é visto como um reforço de peso para a segunda metade da época. E é exatamente isso. A diferença é que não houve investimento adicional, nem riscos de adaptação. O jogador conhece o clube, o campeonato, o balneário e a exigência mediática.
Mas convém não cair na armadilha do entusiasmo cego. Depois de uma paragem tão longa, ninguém regressa automaticamente ao pico de forma. O Benfica terá de gerir minutos, aceitar oscilações iniciais e resistir à tentação de o atirar imediatamente para jogos de máxima intensidade sem rede.
Se o fizer bem, ganha um titular. Se o fizer mal, arrisca recidivas e perde um ativo importante — desportiva e financeiramente.
O Mundial 2026 como motivação extra
No plano pessoal, Alexander Bah tem um objetivo claro e inegociável: ajudar a Dinamarca a marcar presença no Mundial de 2026. A seleção nórdica vai disputar um play-off decisivo frente à Macedónia do Norte, com a possibilidade de enfrentar Chéquia ou República da Irlanda no final de março.
Este contexto acrescenta um fator de motivação — e também de pressão. Bah sabe que precisa de jogar, de render e de provar que a lesão ficou definitivamente para trás. O Benfica, por sua vez, sabe que terá um jogador altamente comprometido, mas também exposto a exigências competitivas fora do clube.
Aqui, a gestão volta a ser palavra-chave.
Impacto real na luta pelos títulos
O regresso de Alexander Bah não garante títulos, mas aumenta significativamente a probabilidade de o Benfica competir até ao fim em todas as frentes. Num campeonato decidido por detalhes, ter um lateral-direito experiente, intenso e confiável pode fazer a diferença em jogos fechados, deslocações complicadas e noites europeias.
Mais do que isso, envia uma mensagem interna clara: o plantel está mais completo, mais equilibrado e menos dependente de soluções improvisadas. Isso reflete-se na confiança coletiva.
Conclusão: não é nostalgia, é pragmatismo
Alexander Bah regressa num momento em que o Benfica precisa menos de promessas e mais de respostas imediatas. Não se trata de romantizar o passado nem de viver de expectativas. Trata-se de recuperar um jogador que já provou o seu valor, que conhece o contexto e que pode elevar o nível competitivo do plantel.
Se estiver fisicamente bem — e tudo indica que está —, o dinamarquês será um dos nomes-chave da segunda metade da temporada encarnada. Sem barulho, sem euforia excessiva, mas com impacto real. E isso, no futebol de alto nível, vale ouro.
