O futebol português voltou a mergulhar numa tempestade de polémica e, desta vez, o Sport Lisboa e Benfica decidiu deixar de jogar na defensiva. O Clube da Luz emitiu um comunicado oficial duro, direto e sem rodeios, onde arrasa a equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro e aponta o dedo à Federação Portuguesa de Futebol, exigindo intervenção imediata de Pedro Proença. O motivo é mais um episódio que as águias consideram lesivo da verdade desportiva, desta vez no jogo da Taça de Portugal entre Santa Clara e Sporting.
A nota encarnada, divulgada nas redes sociais, não é apenas um desabafo emocional. É uma acusação estruturada, com memória, contexto e uma mensagem clara: o Benfica entende que existe um padrão que está a corroer a credibilidade das competições nacionais.
Comunicado incendiário marca rutura com o silêncio
Ao contrário de outras ocasiões, em que optou por declarações mais institucionais ou por um silêncio estratégico, o Benfica decidiu subir o tom. E fê-lo sem filtros. No comunicado, o clube classifica o episódio ocorrido nos Açores como “escandaloso”, “inqualificável” e “inaceitável”, palavras que não surgem por acaso nem são usadas de forma leviana.
Em causa está a grande penalidade assinalada a favor do Sporting, após intervenção do VAR, por uma alegada falta sobre Morten Hjulmand. Uma decisão que demorou cerca de 12 minutos a ser validada e que, segundo o Benfica, assenta numa “falta fantasma”, inexistente nas imagens disponíveis.
A crítica não se limita ao árbitro principal, João Pinheiro. O comunicado inclui também os nomes dos responsáveis pelo VAR, João Casegas e Tiago Leandro, algo pouco comum e que demonstra o grau de indignação da estrutura encarnada.
VAR em foco: tecnologia ao serviço de quem?
Um dos pontos mais sensíveis da nota oficial do Benfica prende-se com a utilização do VAR. Criado para reduzir erros claros e óbvios, o sistema tem sido, na visão das águias, um instrumento de confusão e injustiça, especialmente quando as decisões demoram longos minutos a ser encontradas.
O clube questiona, de forma implícita, a lógica de um VAR que precisa de 12 minutos para “encontrar” um penálti. Se a infração não é evidente, perguntam muitos adeptos, deve ou não o jogo prosseguir sem interferência?
O Benfica vai mais longe e sugere que o VAR está a ser usado de forma seletiva, beneficiando sempre “a mesma equipa de sempre”. Uma acusação grave, que coloca em causa não apenas erros humanos, mas a própria integridade do sistema.
Comparações que não são inocentes
O comunicado encarnado recorre à memória recente para reforçar a sua posição. No mesmo Estádio de São Miguel, recorda o Benfica, houve situações claras que prejudicaram o Sporting em épocas anteriores… e que curiosamente não mereceram qualquer intervenção do VAR.
Entre os exemplos citados estão uma grande penalidade evidente contra o Sporting que passou em branco e, já nesta temporada, um triunfo alcançado através de um “canto fantasma”, quando a bola deveria ter resultado num pontapé de baliza para o Santa Clara.
A mensagem é clara: os critérios não são iguais para todos. E quando isso acontece de forma recorrente, deixa de ser coincidência para se tornar padrão.
Santa Clara, Sporting e um histórico de polémicas
Importa sublinhar que este não é um caso isolado. O Benfica recorda que, para a Liga Portugal Betclic, o Sporting já tinha vencido o Santa Clara num cenário igualmente controverso, com um golo decisivo nos descontos antecedido por um erro claro da equipa de arbitragem.
Este acumular de episódios no mesmo palco e com os mesmos protagonistas reforça a narrativa de que algo não está a funcionar no futebol português. Para os encarnados, a sensação é de déjà vu constante, sempre com os mesmos beneficiários.
Pedro Proença no centro da pressão
Ao contrário de comunicados genéricos, esta nota oficial tem um destinatário claro: Pedro Proença. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol é chamado à responsabilidade de forma direta, numa das passagens mais duras do texto.
O Benfica exige medidas imediatas e responsabilização, alertando para o “descrédito total” que, segundo o clube, está a matar o futebol português. A crítica atinge o coração do sistema: de que vale um calendário competitivo, com várias provas e intensidade elevada, se os resultados parecem estar decididos antes de a bola rolar?
Esta pergunta, ainda que implícita, é devastadora para qualquer estrutura dirigente.
Uma posição política dentro do futebol
Mais do que um protesto pontual, este comunicado representa uma tomada de posição política do Benfica dentro do futebol nacional. O clube mostra que não aceita o papel de figurante num campeonato onde sente que as regras não são aplicadas de forma uniforme.
Ao “segurar um Campeão Nacional” e investir na estabilidade desportiva, o Benfica entende que está a fazer a sua parte dentro das quatro linhas. Fora delas, exige o mesmo nível de rigor, transparência e justiça.
Credibilidade em risco e adeptos à beira da rutura
O maior perigo desta sucessão de polémicas não é apenas desportivo. É estrutural. Cada decisão controversa, cada intervenção inexplicável do VAR, afasta adeptos, mina a confiança e transforma o futebol português num produto menos atrativo.
O Benfica verbaliza aquilo que muitos pensam, mas poucos dizem com esta frontalidade. Se nada mudar, o risco não é apenas perder competitividade interna, mas também relevância externa, num contexto europeu cada vez mais exigente.
Um aviso que não deve ser ignorado
Este comunicado não pode ser tratado como mais um episódio de guerrilha verbal entre clubes. É um aviso sério de uma das principais instituições do futebol português. Ignorá-lo seria um erro estratégico da Federação e dos seus responsáveis.
A questão agora é simples: haverá coragem para agir, rever critérios, avaliar árbitros e devolver credibilidade às competições? Ou tudo continuará na mesma, até que o sistema colapse sob o peso da desconfiança?
O Benfica deixou claro que já não está disposto a aceitar o silêncio como resposta.
