O Benfica desistiu oficialmente da contratação de Lorenzo Lucca, colocando um ponto final num dossiê que, desde o início, levantava mais interrogações do que garantias. A reunião decisiva entre responsáveis do Clube da Luz e do Napoli não produziu qualquer avanço concreto e confirmou aquilo que já se adivinhava nos bastidores: as exigências financeiras dos italianos estavam muito acima do que a SAD encarnada considera aceitável.
A imprensa desportiva nacional foi unânime ao avançar que o Benfica optou por sair da corrida pelo ponta-de-lança italiano, dissipando de vez as dúvidas em torno do seu futuro imediato. A decisão não é apenas desportiva — é sobretudo estratégica — e revela uma tentativa clara de evitar erros do passado, ainda que deixe o ataque das águias num cenário de urgência.
Exigências do Napoli travam negócio e levantam sérias dúvidas de racionalidade
O Napoli colocou a fasquia nos 37 milhões de euros, um valor repartido em dois milhões imediatos por empréstimo e 35 milhões de euros por uma cláusula de compra obrigatória no final da época. Este modelo foi prontamente rejeitado pela Direção do Benfica, que considerou a proposta desajustada face ao rendimento recente do jogador e ao seu valor de mercado real.
Aqui não há margem para romantismos: pagar 37 milhões por um avançado com dois golos em 21 jogos oficiais esta época é um risco financeiro elevado, especialmente para um clube que vive sob constante escrutínio do fair play financeiro. O facto de Lucca estar avaliado em cerca de 25 milhões de euros torna ainda mais evidente o desfasamento entre pedido e realidade.
O Benfica fez bem em recuar. Persistir seria entrar num território perigoso, onde a pressão por resultados imediatos se sobrepõe à sustentabilidade económica.
Perfil agrada, números não convencem
Do ponto de vista puramente técnico, Lorenzo Lucca encaixava em várias das necessidades identificadas pelo treinador. O avançado apresenta um perfil físico dominante, capacidade de jogo aéreo e presença na área — características que faltam ao atual plantel encarnado.
No entanto, o futebol profissional não se constrói com “potenciais ideais”, mas com impacto real. E os números de Lucca esta temporada não sustentam um investimento desta magnitude. Em 584 minutos disputados, repartidos entre Serie A, Liga dos Campeões, Supertaça e Taça de Itália, o avançado marcou apenas dois golos. É curto. Demasiado curto para justificar um compromisso financeiro quase irreversível.
A admiração do treinador pelo perfil do jogador é compreensível, mas não pode ser o único critério. O Benfica não está numa posição em que possa apostar cegamente em projetos de valorização sem garantias mínimas de rendimento imediato.
Uma decisão prudente… mas que expõe falta de alternativas sólidas
Ao desistir de Lucca, o Benfica demonstra prudência. Mas essa prudência vem acompanhada de um problema estrutural: a falta de um plano B robusto e avançado. Clayton, ponta-de-lança do Rio Ave, era outro nome bem referenciado, mas o cenário complicou-se de forma evidente.
O impasse nas negociações por André Luiz e a postura inflexível do clube de Vila do Conde estão a afastar o avançado brasileiro do radar encarnado. Mais uma vez, o Benfica vê-se bloqueado por exigências externas, o que levanta uma questão incómoda: estará o clube a chegar tarde demais ao mercado?
Mercado exige rapidez e convicção, não hesitação
O Benfica não pode continuar a navegar entre avanços tímidos e recuos estratégicos sem resolver o problema central: a equipa precisa de um ponta-de-lança com impacto imediato. A época não espera, e cada semana sem reforços aumenta a pressão sobre um plantel já curto em soluções ofensivas.
A política de contenção financeira é necessária, mas não pode transformar-se em paralisia. O mercado não perdoa indecisões prolongadas, e os clubes vendedores sabem disso. Quem hesita paga mais — ou perde o alvo.
Neste contexto, a estrutura encarnada é obrigada a acelerar a prospeção e a apresentar soluções alternativas que não sejam apenas “nomes em lista”, mas negociações concretas e viáveis.
Lorenzo Lucca: um dossiê encerrado sem arrependimentos
Com contrato válido até junho de 2028, Lorenzo Lucca continuará no Napoli ou será negociado com outro gigante europeu disposto a assumir o risco que o Benfica recusou. Do ponto de vista encarnado, a decisão parece lógica e defensável.
Não se trata de falta de ambição, mas de gestão de risco. Apostar 37 milhões num jogador que ainda não se afirmou ao mais alto nível seria um erro difícil de justificar perante sócios e mercado.
O problema não está em dizer “não” a Lucca. O problema será se o Benfica não disser rapidamente “sim” a uma alternativa credível.
Conclusão: racionalidade venceu, mas o relógio não para
O Benfica saiu das negociações por Lorenzo Lucca com a consciência tranquila, mas com uma responsabilidade acrescida. A frente de ataque continua a pedir reforços, e o tempo joga contra quem espera demasiado.
A racionalidade económica venceu esta batalha. Resta saber se a estrutura encarnada conseguirá vencer a guerra maior: reforçar a equipa sem comprometer o futuro financeiro, mas também sem comprometer a competitividade imediata.
O mercado não perdoa erros — nem a falta de decisões.
