O Clássico entre Benfica e FC Porto, a contar para a Taça de Portugal, surge num momento sensível da época encarnada. Resultados irregulares, exibições pouco convincentes e um clima de desconfiança à volta da equipa criaram um contexto em que qualquer deslize é amplificado. Foi neste cenário que Bruno Costa Carvalho, antigo candidato à presidência do Clube da Luz, falou em exclusivo ao Glorioso 1904, deixando uma análise direta, incómoda e sem rodeios sobre o momento da equipa, o trabalho de José Mourinho e as estratégias para atacar o mercado.
Longe do discurso institucional e das frases feitas, Bruno Costa Carvalho apontou falhas claras, assumiu riscos e tocou em temas que muitos preferem evitar. O tom foi claro: o Benfica não pode continuar a jogar pequeno, nem dentro nem fora de campo.
Um Clássico que exige identidade e coragem
Para Bruno Costa Carvalho, o jogo frente ao FC Porto não é apenas mais um dérbi decisivo. É um teste à identidade do Benfica.
“Espero ver um jogo em que o Benfica joga à Benfica e que se assuma como a grande equipa que é e sempre foi”, afirmou, deixando implícita uma crítica ao que tem visto recentemente.
O antigo candidato reconhece o bom momento do adversário, mas recusa qualquer tipo de desculpa ou complexo de inferioridade. Para ele, aceitar o favoritismo do Porto seria, desde logo, uma derrota psicológica.
“Aquilo que qualquer Benfiquista espera é que o Benfica entre sem medo, que jogue para ganhar e que ganhe.”
A mensagem é simples, mas dura: o Benfica não pode preparar um Clássico com mentalidade defensiva ou calculista. Em jogos desta dimensão, quem entra a pensar em sobreviver raramente sai vencedor.
Um Benfica demasiado receoso em campo
Bruno Costa Carvalho foi particularmente crítico em relação à postura da equipa nos últimos jogos. A ideia de um Benfica cauteloso, reativo e excessivamente preocupado com o adversário é algo que o incomoda profundamente.
“Em cada jogo parece que estamos sempre com medo do adversário, o que é uma sensação de que eu não gosto”, confessou.
Esta observação vai além de uma simples questão tática. Trata-se de mentalidade, confiança e liderança. Um clube com a dimensão do Benfica não pode transmitir insegurança aos próprios adeptos, muito menos aos adversários. Quando isso acontece, algo está estruturalmente errado.
Mourinho sob pressão: comparação com Bruno Lage não é inocente
A crítica mais sensível surgiu quando Bruno Costa Carvalho apontou diretamente responsabilidades a José Mourinho. Sem rodeios, comparou o atual técnico com Bruno Lage, tocando num ponto que muitos adeptos têm discutido, mas poucos dizem publicamente.
“Quando o Bruno Lage era treinador do Benfica, eu tinha quase a certeza absoluta de que íamos ganhar todos os jogos.”
Esta comparação não é nostálgica por acaso. Serve para sublinhar a diferença de atitude e ambição. Para o ex-candidato, Mourinho precisa de assumir o ADN ofensivo que sempre caracterizou o clube.
“Quero ver o Mourinho agressivo e de ataque, como foi no Porto. Não quero ver o Mourinho medroso e sempre com medo dos adversários.”
A crítica é clara: se Mourinho foi contratado pelo seu historial vencedor, então não pode abdicar da ousadia que o tornou grande. Um Benfica retraído não honra nem a sua história, nem a expectativa criada com a chegada de um treinador desse calibre.
André Luiz: talento reconhecido, mas negócio tremido
No capítulo do mercado, Bruno Costa Carvalho começou por abordar o caso de André Luiz, extremo que tem sido apontado como reforço, mas cujo negócio enfrenta dificuldades.
“O André Luiz é de certeza um excelente jogador, portanto acho que é muito bem-vindo ao Benfica.”
Aqui, a análise é positiva, mas também implícita uma crítica à gestão dos processos negociais. O Benfica não pode dar sinais de amadorismo ou hesitação em dossiês estratégicos. Identificar talento não chega; é preciso capacidade para fechar negócios com rapidez e convicção.
Lorenzo Lucca e a confiança no scouting encarnado
Questionado sobre o interesse em Lorenzo Lucca, Bruno Costa Carvalho mostrou-se mais cauteloso, mas deixou claro que deposita confiança na estrutura técnica do clube.
Ao fazê-lo, deixa uma mensagem indireta: o problema do Benfica não está apenas nos nomes que chegam, mas na forma como são integrados, utilizados e potenciados. Um bom scouting perde valor se não houver um plano claro para transformar promessas em ativos decisivos.
Rafa Silva e o perigo dos regressos ao passado
Talvez a declaração mais fria e pragmática tenha surgido quando o tema foi o possível regresso de Rafa Silva ao Benfica. Aqui, Bruno Costa Carvalho não deixou espaço para romantismos.
“Historicamente, e se olharmos bem para o passado, normalmente os regressos não correm muito bem, nem para os jogadores nem para os treinadores.”
A conclusão foi direta:
“Por mim, evitaria o regresso de Rafa Silva ao Benfica.”
Este posicionamento reflete uma visão estratégica clara: o Benfica não pode viver de memórias ou ciclos fechados. O clube precisa de olhar para a frente, investir em soluções com margem de crescimento e evitar decisões emocionais que raramente produzem retorno desportivo ou financeiro.
Entre o discurso e a ação: o verdadeiro desafio do Benfica
As palavras de Bruno Costa Carvalho expõem um problema maior: a distância entre o que o Benfica diz ser e o que realmente tem mostrado em campo. Fala-se de grandeza, ambição e ADN ofensivo, mas muitas vezes a equipa apresenta-se sem chama, sem agressividade e sem convicção.
O Clássico frente ao FC Porto será, mais do que nunca, um espelho dessa realidade. Ou o Benfica assume o jogo, arrisca e honra a sua história, ou continuará a alimentar dúvidas, críticas e frustração entre os adeptos.
A análise é dura, mas necessária. O Benfica não precisa de discursos motivacionais vazios. Precisa de coragem, clareza estratégica e decisões alinhadas com a sua dimensão. Como Bruno Costa Carvalho deixou claro, jogar com medo nunca foi, nem nunca será, uma opção à altura do Clube da Luz.
