O Benfica já trabalha com antecedência na construção da próxima temporada e, nesse planeamento, há um nome que ganha cada vez mais peso dentro da estrutura encarnada: André Gomes. O guarda-redes formado no Seixal está a ser seguido de muito perto pela SAD e o seu regresso à Luz para integrar o plantel principal em 2026/27 é um cenário que está longe de ser meramente hipotético.
Segundo apurou o Glorioso 1904, os responsáveis encarnados estão satisfeitos com a evolução do internacional sub-21 e consideram que o processo delineado para o seu crescimento está a cumprir os objetivos definidos. O empréstimo ao Alverca não foi um favor nem um risco controlado: foi um teste real, em contexto competitivo exigente, e André Gomes respondeu.
Empréstimo ao Alverca não foi acaso, foi estratégia
O Benfica não cede jogadores por caridade desportiva. Quando André Gomes foi emprestado ao Alverca, a ideia era simples e objetiva: minutos, pressão e responsabilidade. Tudo aquilo que um guarda-redes jovem não consegue dentro de um plantel grande, onde o erro é fatal e a paciência é curta.
No Alverca, o guardião assumiu a titularidade desde cedo e tornou-se dono indiscutível da baliza ribatejana na Liga Portugal Betclic. Este detalhe é fundamental. Não se trata apenas de jogar, mas de jogar sempre, errar, corrigir e voltar a responder no jogo seguinte. É aqui que se separam os projetos de jogadores dos jogadores reais.
Rendimento consistente apesar dos erros naturais
É importante não cair na narrativa fácil da perfeição. André Gomes cometeu erros ao longo da temporada. Isso é factual. Mas o que a estrutura do Benfica valoriza — e bem — não é a ausência de falhas, mas a forma como o atleta reage a elas.
As exibições do guarda-redes têm sido maioritariamente seguras, com bons reflexos, leitura de jogo madura e uma presença que transmite confiança à linha defensiva. Para um jogador ainda em processo de crescimento, essa maturidade é um indicador mais relevante do que estatísticas isoladas.
O Benfica sabe que guarda-redes não se fazem apenas com talento técnico. Fazem-se com resiliência mental, e André Gomes está a provar que tem estofo para níveis mais altos.
José Mourinho e o impacto no planeamento da baliza
A possível integração de André Gomes no plantel principal ganha ainda mais relevância tendo em conta que a equipa A será orientada por José Mourinho. O técnico português tem um histórico claro: confia em jogadores jovens, mas só quando estes demonstram solidez emocional e compreensão tática.
Para Mourinho, guarda-redes não são apenas defesas de remates. São líderes silenciosos, organizadores defensivos e peças-chave na gestão dos momentos do jogo. A evolução de André Gomes encaixa nesse perfil, mas não lhe garante nada automaticamente.
Se regressar à Luz, o jovem terá de competir. E isso é saudável. O Benfica não pode — nem deve — oferecer lugares por formação interna. A meritocracia será determinante.
Números que sustentam a aposta do Benfica
Os dados da temporada ajudam a contextualizar a avaliação positiva da SAD encarnada. Em 2025/26, André Gomes realizou 16 jogos na Liga Portugal Betclic, todos como titular, somando 1.440 minutos de competição.
Sofreu 25 golos, um número que, isoladamente, pode parecer elevado. No entanto, enquadrado numa equipa com limitações defensivas e objetivos distintos dos grandes, o registo é perfeitamente aceitável. Mais relevante é o impacto do guarda-redes no rendimento global do Alverca, onde foi várias vezes decisivo para evitar resultados mais pesados.
Atualmente avaliado em 2,5 milhões de euros, o jogador começa a entrar numa fase em que o valor de mercado pode crescer rapidamente — ou estagnar, se a gestão for mal feita.
Renovação de contrato entra no radar da SAD
Caso o regresso à equipa A se concretize no próximo verão, o Benfica terá de agir rapidamente fora das quatro linhas. André Gomes tem contrato válido até junho de 2028, mas isso não significa segurança absoluta.
Blindar o jogador com uma renovação estratégica é uma jogada lógica, sobretudo num contexto em que o clube já foi surpreendido negativamente noutros dossiers recentes, como no caso de Bernardo Silva. A história recente do futebol português está cheia de talentos mal protegidos contratualmente.
Uma eventual renovação não será apenas simbólica: deverá refletir estatuto, cláusula ajustada e um plano claro de progressão dentro do clube.
Formação do Seixal volta a justificar investimento
O caso de André Gomes reforça uma ideia que o Benfica insiste em provar: a formação não é discurso, é ativo estratégico. O Seixal continua a produzir jogadores capazes de chegar à equipa principal, desde que o clube saiba resistir à tentação de atalhos fáceis no mercado.
Integrar André Gomes no plantel principal não é apenas uma decisão desportiva. É também uma mensagem interna e externa: quem evolui, joga. Quem responde à exigência, sobe degrau.
Decisão final exige frieza e não romantismo
Apesar de todos os indicadores positivos, o Benfica não pode cair no erro do entusiasmo prematuro. A baliza é uma posição sensível, onde erros custam pontos, títulos e épocas inteiras.
A decisão sobre André Gomes deve ser tomada com frieza, análise profunda e sem pressões mediáticas. Se estiver pronto, entra. Se ainda precisar de mais um ano de consolidação, o empréstimo não é retrocesso — é continuidade de um plano bem executado.
Uma coisa é clara: o nome de André Gomes já não é apenas promessa. Está mesmo em cima da mesa. E, desta vez, por mérito próprio.
