O Benfica recebe o Alverca este domingo, às 20h30, num jogo que vale mais do que três pontos. Vale sinais. Vale mensagens internas. Vale, sobretudo, a leitura estratégica de José Mourinho, que decide mexer em três peças do onze inicial e deixa claro que a gestão do plantel entrou numa nova fase.
O regresso de Rafa Silva à titularidade, a aposta em Sidny como lateral-direito e a entrada de Tomás Araújo são decisões que não surgem por acaso. São respostas diretas ao empate sem golos frente ao Tondela e, mais do que isso, indícios de que Mourinho começa a impor a sua hierarquia sem sentimentalismos.
Rafa Silva volta ao onze: confiança ou última oportunidade?
A titularidade de Rafa Silva é o maior destaque do Benfica-Alverca. O avançado de 32 anos volta ao onze inicial pela primeira vez desde o regresso à Luz no jogo frente ao Arouca, depois de semanas marcadas por dúvidas, gestão física e algum ruído externo.
Aqui não há espaço para romantismo: Rafa joga porque Mourinho precisa de rasgo, criatividade entre linhas e capacidade de decidir em espaços curtos — algo que faltou de forma gritante no 0-0 frente ao Tondela. A equipa foi previsível, lenta e incapaz de acelerar nos últimos 30 metros.
Rafa não entra apenas para jogar. Entra para provar que ainda é relevante num Benfica que começa a olhar mais para o futuro do que para o passado. Se não marcar diferença neste tipo de jogos, o discurso da “gestão” deixa de colar.
Sidny na lateral-direita: aposta de risco calculado
Outra decisão que merece análise é a utilização de Sidny como lateral-direito. Mourinho abdica de soluções mais conservadoras e entrega a ala a um jogador que oferece mais profundidade ofensiva, mas também mais risco defensivo.
Esta escolha tem leitura tática clara: contra um Alverca expectávelmente mais baixo no terreno, Mourinho quer largura, agressividade e capacidade de empurrar o adversário para trás. Sidny encaixa nesse perfil, sobretudo quando o Benfica quer assumir controlo territorial desde o apito inicial.
No entanto, esta não é uma aposta neutra. Sidny vai ser testado na reação à perda e nas transições defensivas. Se falhar, não haverá desculpas. Mourinho é conhecido por dar oportunidades — mas também por retirar confiança com a mesma rapidez.
Tomás Araújo entra, António Silva sai: sinal claro de exigência
A saída de António Silva do onze não pode ser lida apenas como rotação. É um aviso. Tomás Araújo entra porque tem sido mais consistente, mais fiável na saída de bola e menos permissivo no duelo individual.
Mourinho não gere estatutos, gere rendimento. Quem baixa o nível sai, independentemente do nome ou do passado recente. É uma mensagem dura, mas necessária num plantel onde a complacência já custou pontos.
Ao lado de Otamendi, Tomás Araújo terá a missão de liderar uma linha defensiva que precisa de ser mais agressiva na antecipação e menos passiva na leitura do jogo.
Banjaqui fora por gestão: coerência ou excesso de proteção?
Segundo informações recolhidas, Daniel Banjaqui fica fora da ficha de jogo por gestão de esforço, depois de ter atuado a meio da semana na Youth League frente ao Slavia de Praga. Do ponto de vista médico, é compreensível. Do ponto de vista competitivo, levanta questões.
O Benfica não está numa fase para abdicar de intensidade no meio-campo. E Banjaqui tem sido um dos poucos a oferecer isso. Mourinho opta por proteger o jogador, mas arrisca perder ritmo coletivo.
A ausência de João Rego, por problemas gástricos, reduz ainda mais as opções e obriga o treinador a ser criativo na ocupação dos espaços interiores.
Meio-campo e ataque: equilíbrio frágil, talento em abundância
Com Aursnes e Barreiro no duplo pivot, o Benfica garante capacidade de pressão, recuperação e circulação simples. Não são jogadores de risco, mas são fundamentais para dar liberdade aos da frente.
À frente, Mourinho monta um trio com Prestianni, Rafa e Schjelderup, atrás de Pavlidis. É aqui que o jogo se decide.
Pavlidis precisa de serviço. Não vive de bolas longas nem de milagres individuais. Se Rafa aparecer entre linhas e Prestianni assumir o um-para-um, o Benfica criará ocasiões. Caso contrário, o jogo arrisca-se a cair novamente num domínio estéril.
Benfica-Alverca: jogo simples, obrigação clara
Não há como contornar isto: qualquer resultado que não seja vitória será um fracasso. O Alverca vem à Luz para resistir, atrasar o jogo e explorar erros. Cabe ao Benfica desmontar isso com inteligência e não com ansiedade.
Este é um jogo para marcar cedo, controlar emocionalmente e evitar fantasmas. Mourinho sabe-o. As escolhas refletem isso.
ONZE DO BENFICA CONFIRMADO
Trubin;
Sidny, Tomás Araújo, Otamendi e Dahl;
Aursnes e Barreiro;
Prestianni, Rafa e Schjelderup;
Pavlidis.
Conclusão: Mourinho deixa avisos e testa limites
Este Benfica-Alverca não é apenas mais um jogo do calendário. É um teste à profundidade do plantel, à resposta dos “titulares em dúvida” e à capacidade de Mourinho impor uma cultura de exigência real.
Rafa tem de responder. Sidny tem de confirmar. Tomás Araújo tem de justificar. Quem falhar, sai. Simples. O Benfica já perdeu pontos suficientes para andar a gerir egos.

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