Mourinho explica gestão de Ivanovic e garante Rafa no onze frente ao Alverca

 


José Mourinho voltou a colocar os holofotes sobre o balneário do Benfica, desta vez para esclarecer a reduzida utilização de Franjo Ivanovic e, ao mesmo tempo, dissipar dúvidas sobre a motivação de Rafa. Em conferência de imprensa, o treinador encarnado foi fiel ao seu estilo direto, pragmático e sem rodeios: as escolhas são feitas para ganhar jogos, não para valorizar ativos ou satisfazer agendas individuais.


As declarações surgem na sequência de uma entrevista recente de Ivanovic, onde o avançado garantiu não existir qualquer problema com o técnico. Mourinho confirmou essa leitura, explicou o contexto das suas decisões e deixou ainda uma garantia importante para os adeptos: Rafa será titular frente ao Alverca, este domingo.


Mourinho e a prioridade absoluta: ganhar jogos no Benfica


Mourinho foi claro desde a primeira frase: o objetivo principal do Benfica é vencer. Nada mais, nada menos. O treinador recusou categoricamente a ideia de que exista qualquer pressão interna para gerir jogadores com base em valorização de mercado ou estratégias financeiras.


Segundo o técnico, nunca recebeu indicações da estrutura diretiva para favorecer este ou aquele atleta. As suas decisões assentam exclusivamente naquilo que considera mais eficaz para ganhar jogos, uma mensagem que reforça a sua autonomia e autoridade dentro do clube.


Este ponto não é menor. Num futebol cada vez mais influenciado por interesses externos, Mourinho demarca-se de forma firme e envia um sinal claro ao balneário: quem joga, joga porque ajuda a ganhar — não porque custa mais, vale mais ou promete render no futuro.


A situação de Franjo Ivanovic: contexto, não castigo


A pouca utilização de Franjo Ivanovic tem gerado debate entre adeptos e comentadores, mas Mourinho desmonta a narrativa de forma cirúrgica. O avançado tem jogado pouco, é verdade, mas nunca esteve afastado do grupo, nunca ficou fora de uma convocatória e foi utilizado sempre que o treinador sentiu que o jogo pedia as suas características.


O exemplo dado foi o confronto com o Nápoles, um adversário que Mourinho conhece profundamente. Nesse contexto específico, Ivanovic encaixava melhor no plano de jogo, ao ponto de o treinador ter deixado Pavlidis de fora. Isto demonstra que a escolha não é pessoal nem definitiva, mas tática e circunstancial.


Aqui há um detalhe que muitos ignoram: Mourinho não escolhe “os melhores nomes”, escolhe os melhores perfis para cada jogo. É uma abordagem fria, racional e muitas vezes impopular — mas historicamente vencedora.


Liga portuguesa exige perfis diferentes no ataque


Mourinho foi ainda mais específico ao explicar porque Ivanovic tem menos minutos nos jogos da Liga. A realidade do campeonato português é conhecida: equipas baixas, linhas muito compactas, muitos jogadores dentro da área.


Nesses cenários, o treinador prefere avançados capazes de jogar de costas para a baliza, dominar em espaços curtos e servir de referência na área. Jogadores como Anísio encaixam melhor neste tipo de jogos, não por serem “melhores”, mas por serem mais úteis naquele contexto específico.


Esta explicação desmonta a ideia simplista de que quem joga mais é sempre quem tem mais qualidade. Para Mourinho, qualidade sem enquadramento tático é irrelevante. O que conta é impacto real no jogo.


Gestão de balneário: ambições individuais contam, mas não mandam


Outro ponto sensível abordado por Mourinho foi a ambição individual dos jogadores, especialmente com um Mundial no horizonte. O treinador não ignora esse fator — reconhece que os jogadores pensam nas suas carreiras, nas seleções e na visibilidade.


No entanto, faz uma distinção clara entre o que é fundamental e o que é secundário. Ganhar jogos é fundamental. As ambições individuais interessam, mas nunca podem sobrepor-se ao coletivo. É uma linha dura, mas coerente com a carreira de Mourinho.


Esta abordagem pode gerar desconforto em alguns jogadores, mas também cria um ambiente de meritocracia real: quem se adapta melhor ao plano, joga.


Rafa está motivado e será titular frente ao Alverca


Se havia dúvidas sobre a situação de Rafa, Mourinho tratou de as eliminar. O treinador garantiu que o extremo está motivado, treina bem e será titular frente ao Alverca.


Mais do que uma simples confirmação, Mourinho aproveitou para falar sobre a importância dos treinos. Disse que uma das suas maiores preocupações ao longo da carreira é criar sessões de treino motivadoras, exigentes e estimulantes — algo que considera essencial para manter o grupo competitivo.


Rafa, segundo o técnico, tem vindo a somar minutos, a ganhar ritmo competitivo e está pronto para assumir um papel mais ativo. A titularidade no próximo jogo surge como consequência natural desse processo.


A mensagem de Mourinho aos adeptos do Benfica


No fundo, Mourinho deixou uma mensagem clara aos adeptos: não esperem gestão emocional, esperem gestão estratégica. As escolhas podem não agradar a todos, mas têm um único objetivo — vencer.


Para os jogadores, o recado é ainda mais direto: não há lugares cativos, nem castigos silenciosos. Há contexto, trabalho e adaptação. Quem encaixar melhor no plano, joga. Quem não encaixar, espera.


É uma filosofia exigente, muitas vezes desconfortável, mas que historicamente traz resultados. Resta saber se o plantel do Benfica está preparado para viver sob essa lógica sem fissuras internas.


Conclusão: coerência, não favoritismos


José Mourinho pode ser polémico, mas raramente é incoerente. A gestão de Ivanovic, a aposta em perfis específicos e a confiança em Rafa seguem uma lógica clara, consistente e alinhada com a sua identidade enquanto treinador.


Num futebol cada vez mais dominado por ruído, Mourinho aposta na clareza — mesmo que isso lhe traga críticas. Para já, o foco está no Alverca. E, como o próprio disse, tudo o resto é secundário.

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