O Benfica terminou a Liga dos Campeões 2024/25 longe da final, mas bem posicionado no que realmente sustenta o futebol moderno: as receitas. Apesar de ter ficado pelos oitavos de final, o clube encarnado arrecadou 71,434 milhões de euros, ocupando o 14.º lugar no ranking financeiro da UEFA. Numa competição cada vez mais desigual, onde o sucesso desportivo e o poder económico caminham lado a lado, este número diz muito sobre o momento das águias.
A campanha europeia não foi brilhante, mas também não foi um fracasso. O Benfica terminou a fase de liga no 16.º posto, ultrapassou o Monaco no play-off e acabou eliminado pelo Barcelona nos oitavos. Ou seja, cumpriu serviços mínimos competitivos, mas sem surpreender. A diferença é que, na Liga dos Campeões atual, cumprir mínimos já significa encaixar milhões.
Liga dos Campeões: como o Benfica chegou aos 71 milhões de euros
Os 71,434 milhões de euros arrecadados pelo Benfica resultam do pacote global de prémios distribuídos pela UEFA: bónus de participação, resultados na fase de liga, classificação final e coeficiente histórico. Não se trata apenas do que se faz em campo nessa época; trata-se também do peso acumulado ao longo dos anos.
Aqui está o ponto crítico: o modelo de distribuição da UEFA favorece clubes com histórico consistente na competição. O Benfica beneficia da sua presença regular na Liga dos Campeões, mesmo sem chegar sistematicamente às meias-finais. Isso garante um colchão financeiro relevante, independentemente de quedas nos oitavos.
Mas não nos enganemos: 71 milhões são um bom valor, mas estão muito longe da elite. O Paris Saint-Germain, campeão da prova, arrecadou 144,415 milhões de euros. O Inter, finalista vencido, somou 136,625 milhões, enquanto o Arsenal fechou o pódio com 116,998 milhões. A diferença entre cair nos oitavos e disputar a final ultrapassa facilmente os 60 milhões de euros. É uma distância brutal.
Ranking financeiro da UEFA expõe desigualdade europeia
O ranking de receitas da Liga dos Campeões 2024/25 mostra algo que muitos preferem ignorar: a competição está cada vez mais polarizada. Os clubes que chegam às fases decisivas não apenas ganham títulos — consolidam uma vantagem financeira que se traduz em melhores plantéis, mais profundidade e maior capacidade de investimento.
O Benfica ficou no 14.º lugar em termos de receitas. Isso coloca o clube num segundo escalão europeu: competitivo, financeiramente sólido, mas ainda distante da verdadeira elite continental.
A pergunta incómoda é esta: o Benfica está satisfeito com esse lugar intermédio? Porque os números mostram que, se o objetivo é competir de igual para igual com PSG, Manchester City ou Real Madrid, não basta chegar aos oitavos.
Eliminação nos oitavos: fracasso ou gestão racional?
A queda frente ao Barcelona nos oitavos de final não pode ser analisada apenas sob a lente emocional. Financeiramente, a campanha foi positiva. Desportivamente, foi previsível.
O Benfica tem um modelo baseado em valorização de ativos e vendas estratégicas. A Liga dos Campeões funciona como montra e como fonte de receita. Se o clube consegue gerar mais de 70 milhões sem chegar aos quartos, o modelo está a funcionar do ponto de vista financeiro.
Mas há um risco evidente: acomodação competitiva. Quando a estrutura percebe que os oitavos garantem encaixe robusto, a tentação é estruturar o plantel para “competir bem”, não necessariamente para “ganhar a prova”. E isso cria um teto invisível.
Benfica 2025/26: novo encaixe milionário já garantido
Se 2024/25 terminou com 71 milhões nos cofres, a edição 2025/26 já começou a render. Entre a entrada na fase regular, coeficientes e a presença no play-off frente ao Real Madrid, o Benfica já assegurou cerca de 53 milhões de euros.
E há mais: um eventual apuramento para os oitavos de final pode acrescentar cerca de 11 milhões adicionais. Ou seja, mesmo antes da fase decisiva, o clube aproxima-se novamente de um encaixe superior a 60 milhões.
Isto revela duas coisas:
1. O Benfica consolidou estatuto europeu suficiente para garantir receitas estruturais elevadas.
2. A dependência da Liga dos Campeões é cada vez maior.
Sem presença regular na prova milionária, o orçamento sofre impacto direto. A estratégia financeira do clube está, portanto, intimamente ligada ao desempenho europeu.
Estratégia financeira vs ambição desportiva
Aqui entra a análise menos confortável. O Benfica está a usar bem estes 70 milhões anuais? Está a reinvestir de forma estratégica para dar o salto competitivo? Ou está a equilibrar contas e a preparar vendas futuras?
O futebol moderno não permite ingenuidade. Quem não reinveste agressivamente fica para trás. PSG, Inter e Arsenal não chegam ao topo por acaso — há planeamento, profundidade de plantel e capacidade de absorver riscos financeiros.
Se o Benfica quiser quebrar o ciclo de eliminações nos oitavos ou quartos, terá de assumir mais risco desportivo: manter talento por mais tempo, apostar em experiência europeia e reduzir a dependência de vendas imediatas.
Caso contrário, continuará num limbo confortável: financeiramente saudável, mas estruturalmente distante da elite.
A prova milionária é mais negócio do que sonho
A Liga dos Campeões já não é apenas uma competição desportiva. É um motor económico. Cada fase ultrapassada multiplica receitas, atratividade comercial e poder negocial.
Os 71,434 milhões arrecadados pelo Benfica em 2024/25 são prova disso. A campanha pode não ter ficado na memória dos adeptos como histórica, mas deixou marca no relatório financeiro.
E talvez seja aí que esteja o verdadeiro dilema: no futebol atual, o sucesso mede-se tanto pelo saldo bancário quanto pelos troféus.
Se o Benfica quiser dar o próximo passo, precisa de transformar receitas em vantagem competitiva real. Caso contrário, continuará a celebrar encaixes milionários enquanto outros levantam a taça.
A questão não é quanto o Benfica ganhou. A questão é o que fará com esse dinheiro.

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