Apesar de não ter alcançado o estrelato esperado em Lisboa, Everton Cebolinha continua a gerar retorno financeiro significativo para o Benfica, provando que, mesmo fora do auge desportivo, um jogador pode representar valor monetário para um clube.
O extremo brasileiro, que chegou ao Benfica na temporada 2020/21, foi vendido recentemente ao Flamengo, mas manteve vínculos que garantiram às águias mais 1,5 milhões de euros graças a uma cláusula que previa pagamento adicional caso permanecesse no clube carioca até o final de dezembro de 2025. Este episódio reforça a importância de negociações inteligentes e cláusulas bem estruturadas, mesmo quando a carreira de um jogador não corresponde integralmente às expectativas.
O percurso de Everton Cebolinha no Benfica
Everton Cebolinha aterrissou em Lisboa como uma promessa de impacto imediato. Numa janela de mercado marcada pelo regresso de Jorge Jesus e por investimentos superiores a 100 milhões de euros, o brasileiro foi o segundo reforço mais caro do Benfica. A aposta foi ambiciosa: o clube buscava replicar no futebol português o desempenho que o jogador exibira no Brasil, onde somou 42 golos e 16 assistências em duas temporadas e meia.
No entanto, a trajetória em Portugal ficou aquém do que se esperava. Em 95 jogos pelo Benfica, Everton marcou apenas 15 golos e ofereceu 17 assistências, números significativamente inferiores ao seu desempenho prévio no futebol brasileiro. Apesar da menor produtividade, a sua presença no plantel trouxe experiência, ritmo e um estilo ofensivo que, por vezes, foi determinante em momentos chave.
O investimento alto não se traduziu em impacto imediato, mas mostrou que, em termos financeiros, o jogador ainda seria capaz de render.
A venda ao Flamengo e a cláusula de retorno
A transferência de Everton para o Flamengo não apenas permitiu ao Benfica aliviar a folha salarial, como também garantir ganhos futuros. Quando o clube brasileiro completou a compra, ficou acordado que um pagamento adicional seria efetuado caso o extremo permanecesse no Flamengo até dezembro de 2025. Esse pagamento de 1,5 milhões de euros demonstra como uma cláusula bem redigida pode transformar uma operação aparentemente medíocre em lucro.
Vale destacar que o Benfica manteve inicialmente 10% dos direitos económicos do jogador, embora essa percentagem tenha sido posteriormente cedida. Ainda assim, o negócio mostra a habilidade do clube em estruturar transferências de modo a proteger o investimento, mesmo quando o desempenho do jogador em campo não justificava o valor da contratação.
Avaliação do desempenho de Everton Cebolinha
Se analisarmos os números, é evidente que Everton não atingiu o nível que prometia. Com 15 golos e 17 assistências em 95 partidas, o extremo apresentou uma produtividade abaixo do esperado, especialmente quando comparado à sua fase no Brasil. A adaptação ao futebol europeu, estilo de jogo mais tático e defensivo, possivelmente contribuiu para essa queda de rendimento.
Contudo, a análise apenas pelo prisma estatístico ignora outros fatores importantes: o jogador aportou criatividade, velocidade e experiência em jogos decisivos, características que não se refletem completamente em golos ou assistências. Ainda assim, o balanço global indica que o Benfica pagou caro por uma promessa que não se concretizou plenamente, o que levanta questões sobre a estratégia de contratações de alto risco no clube.
O momento atual no Flamengo
Com contrato válido até ao final deste ano, Everton Cebolinha tem mostrado sinais de recuperação no Flamengo. Avaliado em 7 milhões de euros, o extremo participou em sete jogos na temporada 2026: três no Campeonato Carioca, três no Brasileirão e um na Supercopa do Brasil. Nesses confrontos, somou 306 minutos em campo, registando três golos e uma assistência.
Além dos números, a presença constante indica que o jogador se adaptou rapidamente à equipa e ao estilo do treinador. Esse bom momento aumenta as possibilidades de renovação contratual, o que protegeria o investimento do Flamengo — que pagou 16 milhões de euros ao Benfica, mais três milhões em bónus — e poderia gerar futuras compensações financeiras para o clube português.
Lições estratégicas para clubes europeus
O caso de Everton Cebolinha exemplifica como decisões financeiras podem compensar falhas desportivas. Apesar de não ter correspondido às expectativas em campo, o jogador continua a gerar retorno financeiro graças a cláusulas bem estruturadas. Para clubes europeus, isso reforça a necessidade de olhar além do desempenho imediato e considerar mecanismos que protejam o investimento em ativos desportivos de alto valor.
Além disso, evidencia a importância de avaliação criteriosa antes de grandes investimentos. O Benfica assumiu riscos significativos ao contratar um jogador de 29 anos, vindo do futebol brasileiro, e embora tenha havido retorno monetário, o impacto desportivo ficou aquém. Esta experiência poderia servir como alerta para negociações futuras: talento, estatísticas e adaptação são fatores que precisam ser analisados em conjunto com cláusulas de segurança financeira.
A valorização financeira mesmo após desempenho aquém
A geração de 1,5 milhões de euros através de cláusulas contratuais ilustra um ponto crucial: a carreira de um jogador não precisa ser perfeita em campo para continuar a produzir lucro para o clube. Em mercados cada vez mais globalizados, a capacidade de monetizar talentos com base em mecanismos financeiros é tão importante quanto o rendimento desportivo.
O Benfica demonstrou capacidade de extrair valor financeiro de um investimento que, em termos futebolísticos, poderia ser considerado parcial fracasso. Esse modelo de gestão, quando replicado com critério, permite equilibrar riscos e lucros, reduzindo o impacto negativo de contratações de alto custo.
Perspectivas futuras
Se Everton Cebolinha renovar com o Flamengo, como sugerem rumores no Brasil, o Benfica ainda poderia se beneficiar de possíveis bonificações adicionais. Para o jogador, trata-se de uma oportunidade de recuperar forma e visibilidade, enquanto o Flamengo protege o investimento realizado.
No plano estratégico, esta situação sublinha a necessidade de clubes como o Benfica repensarem políticas de contratação: investir em jogadores promissores do Brasil pode ser lucrativo, mas requer cautela, análise detalhada de adaptação e cláusulas financeiras inteligentes que protejam o clube mesmo em caso de desempenho abaixo do esperado.
Conclusão
Everton Cebolinha é um exemplo vivo de como futebol e finanças caminham lado a lado. O extremo brasileiro não atingiu o potencial prometido no Benfica, mas continua a gerar valor monetário significativo, provando que o lucro no futebol não depende exclusivamente de desempenho em campo.
A história do jogador reforça lições importantes para clubes: cláusulas bem estruturadas, análise rigorosa de risco e acompanhamento de desempenho fora de campo são fundamentais para transformar investimentos arriscados em operações financeiras sólidas. Para os adeptos, fica a reflexão: nem sempre o sucesso é medido apenas em golos e assistências, mas também em estratégias que garantem retorno e sustentabilidade ao clube.

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