A possível mudança de Edu Lamas para o Deportivo Liceo promete agitar o mercado de transferências no hóquei em patins ibérico. O internacional espanhol, atualmente ao serviço do FC Porto, termina contrato no final da presente temporada e já terá dado luz verde a um regresso ao clube onde se formou. Ainda não há acordo fechado, mas os sinais são claros: o dossiê está em andamento e pode tornar-se um dos negócios mais relevantes da época 2026/27.
Num contexto em que Benfica, Sporting e Porto lutam por protagonismo interno e afirmação europeia, qualquer movimentação entre peças experientes tem impacto direto na balança competitiva. E Edu Lamas não é apenas mais um nome na lista.
Edu Lamas pode regressar ao Liceo: o que está em jogo?
Aos 35 anos, Edu Lamas continua a ser um defesa/médio com leitura tática acima da média, forte no jogo posicional e com capacidade para sair a jogar sob pressão. O Liceo, atual líder da liga espanhola, procura substituir César Carballeira, que deverá fazer o caminho inverso rumo ao Dragão.
O cenário é estratégico: o Liceo reforça-se com um jogador formado em casa, conhecedor da cultura do clube e com experiência acumulada em contextos de alta exigência, enquanto o FC Porto aposta numa renovação de perfil mais jovem.
A vantagem negocial está do lado do atleta. Em final de contrato com o Porto, Lamas pode negociar livremente, sem necessidade de compensação financeira entre clubes. Isso reduz entraves e acelera decisões. Quando um jogador experiente fica livre no mercado, quem hesita perde.
O peso da história: a ligação emocional ao clube galego
Edu Lamas não seria apenas mais um reforço para o Liceo. Estaríamos a falar de um regresso a casa. O defesa já representou os galegos em três momentos distintos da carreira, tendo deixado marca tanto pela consistência defensiva como pela liderança silenciosa.
Regressos deste tipo não são meramente românticos. São estratégicos. Um balneário que luta pelo título beneficia de jogadores que conhecem a exigência interna e não precisam de período de adaptação cultural.
Mas há um risco: o fator emocional pode mascarar o lado racional. Aos 35 anos, o rendimento físico é sempre uma incógnita. O Liceo terá de avaliar se está a contratar o jogador que foi ou o que ainda consegue ser.
A passagem pelo Benfica e a mudança para o FC Porto
Entre 2019 e 2023, Edu Lamas vestiu a camisola do Benfica. Foram 135 jogos e 47 golos — números relevantes para um jogador com funções predominantemente defensivas. Participou em decisões importantes e consolidou-se como peça fiável nas rotações encarnadas.
No final de 2022/23, optou por não renovar com o Benfica e surpreendeu ao assinar pelo FC Porto. A transferência para o rival direto mostrou que o atleta privilegia projeto competitivo acima de sentimentalismos.
No Porto, encontrou um contexto diferente: maior exigência física, rotação intensa e pressão constante por títulos. Ainda assim, manteve regularidade exibicional. Agora, com contrato a terminar, volta a posicionar-se estrategicamente no mercado.
Mercado de transferências no hóquei em patins: movimentações com impacto estrutural
O possível “swap indireto” entre Lamas e Carballeira revela algo maior: os clubes ibéricos estão cada vez mais atentos a equilíbrios táticos e ciclos de plantel.
O Liceo lidera atualmente a liga espanhola e pretende manter hegemonia. O Porto é quarto classificado em Portugal, atrás de Benfica, Sporting e Barcelos, e precisa de recuperar terreno competitivo. Estas decisões não são apenas técnicas — são respostas a contextos classificativos.
Em Portugal, o Benfica lidera a Liga Placard com 43 pontos e segue invicto. O Sporting soma 38, o Barcelos 34 e o Porto 32. O equilíbrio competitivo é evidente, mas o Porto está abaixo do padrão histórico de dominância.
Quando um clube grande começa a ficar sistematicamente atrás dos rivais diretos, o mercado deixa de ser opção e passa a ser obrigação.
Experiência versus renovação: qual a melhor estratégia?
Aqui entra a análise fria: o Liceo aposta numa solução experiente; o Porto poderá investir num perfil mais jovem com margem de valorização.
Qual das abordagens é mais inteligente?
Depende do objetivo. Se o foco for ganhar já, experiência conta. Jogadores como Edu Lamas reduzem erros em jogos decisivos. Se o objetivo for construir ciclo sustentável de três a cinco anos, a aposta deve recair em atletas com crescimento pela frente.
O problema é que muitos clubes tentam equilibrar as duas coisas e acabam por não fazer nenhuma com convicção.
O que esta possível transferência diz sobre o momento do jogador?
Um atleta de 35 anos que aceita regressar ao clube de formação mostra que está a pensar na reta final da carreira com inteligência estratégica. Voltar a um ambiente conhecido, competitivo e potencialmente vencedor pode maximizar os últimos anos de alto rendimento.
Mas há outra leitura possível: será que Lamas sente que no Porto o ciclo está encerrado? Quando um jogador aceita negociar antes mesmo do contrato terminar, é sinal de que a decisão já foi amadurecida internamente.
No desporto profissional, raramente estas escolhas são impulsivas. São calculadas.
Impacto competitivo na liga espanhola e portuguesa
Se a transferência se confirmar, o Liceo reforça-se com um perfil que conhece bem o hóquei português e a exigência europeia. Pode ser um diferencial em jogos de Liga dos Campeões.
Por outro lado, o Porto terá de garantir que a saída não deixa lacuna estrutural no setor defensivo. Substituir liderança não é simples. Substituir experiência, menos ainda.
Num cenário onde Benfica e Sporting continuam fortes, qualquer falha de planeamento pode custar títulos.
Conclusão: negócio emocional ou jogada estratégica?
O regresso de Edu Lamas ao Liceo pode ser visto como uma história de reencontro. Mas no hóquei em patins profissional, decisões são tomadas com base em performance e resultados.
Se o Liceo está a contratar rendimento imediato, faz sentido. Se está a contratar nostalgia, é erro.
Se o Porto está a libertar espaço para renovação inteligente, é visão. Se está a perder estabilidade sem plano claro, é fragilidade.
O mercado não perdoa hesitações. E no topo do hóquei ibérico, quem planeia melhor vence mais

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