A recente eliminação da Associação Artística de Avanca da Taça de Portugal de Andebol, na secretaria, tem gerado ondas de choque no universo do andebol nacional. O episódio, envolvendo o Benfica, levantou questões sobre fair play, decisões federativas e o papel das grandes equipas na gestão das competições.
Partida suspensa e decisão polêmica da FAP
O confronto entre Avanca e Benfica, válido pela Taça de Portugal, foi interrompido devido ao mau tempo que afetou a região de Estarreja. A suspensão temporária acabou por transformar-se numa eliminação administrativa da equipa da casa, levantando suspeitas sobre os critérios utilizados pela Federação de Andebol de Portugal (FAP).
Segundo comunicado oficial publicado pelo Avanca, a FAP não levou em consideração a gravidade das condições climatéricas, tomando uma decisão rápida e desfavorável à equipa local. A federação, por sua vez, defendeu a aplicação do regulamento, mas a controvérsia reside na interpretação e na rapidez com que o Benfica foi declarado qualificado para os oitavos de final da prova.
Acusações de simulação de atletas do Benfica
O ponto mais polémico do comunicado da Associação Artística de Avanca foram as acusações dirigidas aos atletas do Benfica. O clube de Estarreja afirma que os jogadores encarnados simularam quedas durante a partida para provocar a suspensão do jogo:
“Desde o início do jogo que se percebeu que a equipa do Benfica não queria disputar a partida. Chegaram ao ponto de simular quedas decorrentes de presumíveis escorregadelas. Temos imagens que comprovam todo esse teatro para forçar a interrupção da partida.”
O Avanca acusa ainda o Benfica de tirar proveito da situação para assegurar a qualificação sem enfrentar efetivamente a equipa da casa, descrevendo o comportamento da equipa da Luz como oportunista e vergonhoso.
Reações da Federação e análise da decisão
A FAP tem defendido que a eliminação do Avanca se enquadra dentro do regulamento da Taça de Portugal, citando cláusulas relativas à impossibilidade de conclusão do jogo devido a fatores externos, como o mau tempo. No entanto, a falta de flexibilidade e de diálogo com os clubes afetados tem sido alvo de críticas severas, sugerindo que as decisões são muitas vezes desiguais e favorecem as equipas mais influentes.
A polémica levanta uma discussão mais ampla sobre a gestão das competições em Portugal, questionando se clubes com maior prestígio conseguem navegar pelas regras de forma a obter benefícios, enquanto equipas de menor expressão ficam à mercê de interpretações rígidas e, por vezes, injustas.
A visão do Avanca: andebol como modalidade de todos
O Avanca termina o seu comunicado com um alerta direto à Federação e aos grandes clubes: o andebol não deve ser tratado como “uma coutada particular de três ou quatro clubes”. A crítica sublinha a necessidade de proteger a modalidade em todas as regiões, garantindo que clubes mais pequenos possam competir em igualdade de condições, sem serem prejudicados por decisões administrativas ou estratégias oportunistas.
Esta posição evidencia um problema estrutural no desporto nacional: a concentração de poder e influência em alguns clubes, que acabam por moldar regulamentos e interpretações a seu favor, criando um ambiente competitivo desigual.
Implicações para o fair play e imagem do Benfica
Do ponto de vista do fair play, as acusações do Avanca colocam o Benfica numa situação delicada. A ideia de que a equipa teria recorrido a simulações para manipular a suspensão do jogo levanta questões éticas que vão além do resultado imediato. Ainda que não haja confirmação oficial sobre as alegações, o episódio pode afetar a imagem do clube e suscitar um debate sobre o comportamento de equipas de elite em confrontos com adversários de menor expressão.
No contexto mediático, a rapidez com que o Benfica foi declarado qualificado reforça a narrativa do Avanca sobre aproveitamento oportunista. Em termos de marketing e comunicação, este episódio também será interpretado como um teste à credibilidade da Federação e à postura do clube encarnado perante controvérsias.
Conclusão: o andebol em alerta
A eliminação do Avanca na secretaria não é apenas uma questão desportiva: reflete problemas estruturais e culturais do andebol português. Entre decisões federativas controversas, alegações de má-fé e desigualdade competitiva, o episódio serve de alerta sobre a necessidade de maior transparência e justiça nas competições nacionais.
O futuro da modalidade depende da capacidade de proteger clubes mais pequenos, equilibrar interesses e garantir que o jogo seja decidido no pavilhão e não nos gabinetes. Caso contrário, casos como o de Avanca e Benfica continuarão a alimentar polémicas e a fragilizar a credibilidade do andebol em Portugal.

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