O futsal português continua a afirmar-se no panorama europeu e, mesmo sem a revalidação do título continental, voltou a produzir nomes capazes de marcar uma geração. Um desses casos é Bernardo Paçó. O guarda-redes do Sporting foi incluído no cinco ideal do Campeonato da Europa de futsal 2026, distinção anunciada esta segunda-feira pela UEFA, que reconhece o impacto decisivo do internacional português ao longo da fase final da competição.
Num torneio altamente competitivo, dominado pela campeã Espanha, Bernardo Paçó destacou-se não apenas pelos números, mas sobretudo pela maturidade competitiva, capacidade de decisão e frieza nos momentos de maior pressão. A eleição para o cinco ideal surge como consequência lógica de um Europeu sólido e consistente, que consolidou o estatuto do guarda-redes leonino entre a elite do futsal europeu.
Estreia em Europeus marcada por confiança e autoridade
A fase final do Euro 2026 ficou marcada por uma decisão forte de Jorge Braz. O selecionador nacional apostou em Bernardo Paçó como titular indiscutível da baliza portuguesa, relegando Edu para segundo plano. Uma escolha que, à partida, poderia gerar debate, mas que rapidamente se revelou acertada.
Na sua estreia em fases finais de Campeonatos da Europa, o guarda-redes do Sporting respondeu com exibições seguras, comunicação eficaz com a linha defensiva e uma leitura de jogo que fez a diferença em vários encontros. Paçó mostrou-se confortável tanto na defesa do remate direto como na gestão do jogo com os pés, um aspeto cada vez mais determinante no futsal moderno.
A regularidade exibida ao longo do torneio foi um dos fatores decisivos para a sua inclusão no cinco ideal da UEFA, superando nomes mais experientes e com maior historial em competições internacionais.
Regularidade e impacto nos momentos decisivos
Ao contrário de outros jogadores que brilham em momentos isolados, Bernardo Paçó construiu o seu Europeu com base na consistência. Jogo após jogo, o guardião leonino foi garantindo estabilidade à equipa das quinas, evitando que Portugal perdesse controlo emocional mesmo em fases de maior adversidade.
As intervenções decisivas em momentos-chave, a capacidade de travar transições rápidas e a leitura inteligente do jogo adversário tornaram-no uma das peças mais fiáveis da Seleção Nacional. Não foi apenas um guarda-redes reativo, mas um verdadeiro organizador defensivo, algo que a UEFA valorizou claramente na escolha do cinco ideal.
Este reconhecimento ganha ainda mais peso quando se analisa o contexto competitivo da prova, onde o nível técnico e físico atingiu patamares muito elevados.
Cinco ideal dominado pela campeã Espanha
A equipa ideal do Euro 2026 reflete a supremacia espanhola na competição. Além de Bernardo Paçó, os restantes lugares foram ocupados por Antonio Pérez, Mellado e Pablo Ramírez, todos eles peças-chave da seleção campeã europeia. O quinto elemento foi Pany Varela, internacional português e antigo jogador do Sporting.
A presença de Paçó entre uma maioria de jogadores espanhóis sublinha a dimensão individual do prémio. Não se trata de uma distinção simbólica ou patriótica, mas do reconhecimento do rendimento real apresentado ao longo do torneio.
Para Portugal, a eleição de dois jogadores para o cinco ideal confirma que, apesar da derrota na final, a Seleção manteve um nível competitivo elevado e continua a ser uma referência no futsal europeu.
Pany Varela e a dupla representação portuguesa
Além de Bernardo Paçó, Pany Varela foi o outro português distinguido pela UEFA. O ala realizou um torneio de alto nível, somando quatro golos e quatro assistências nos seis jogos disputados, sendo um dos motores ofensivos da equipa das quinas.
A dupla presença portuguesa no cinco ideal reforça a ideia de que Portugal perdeu a final, mas não perdeu protagonismo. Pelo contrário, continua a produzir jogadores capazes de desequilibrar ao mais alto nível e de competir diretamente com as principais potências europeias da modalidade.
No caso de Paçó, esta distinção tem ainda um peso simbólico maior, por se tratar de um guarda-redes, posição historicamente menos valorizada em prémios individuais.
A final perdida não apaga o crescimento individual
A derrota por 3-5 frente à Espanha na final do Euro 2026 impediu Portugal de revalidar o título europeu, mas não deve ser lida como um fracasso. A equipa apresentou-se competitiva, lutou até ao fim e encontrou um adversário extremamente eficaz nos momentos decisivos.
Para Bernardo Paçó, a final não apaga tudo o que construiu ao longo do torneio. Pelo contrário, reforça a leitura de que o guarda-redes esteve à altura de um palco de exigência máxima e saiu valorizado, tanto aos olhos da UEFA como do futsal internacional.
A presença no cinco ideal surge, assim, como um selo de qualidade que transcende o resultado coletivo.
Impacto no Sporting e no futsal europeu
A distinção de Bernardo Paçó tem reflexos diretos no Sporting. O clube de Alvalade vê confirmado o valor de um dos seus ativos mais importantes, num contexto em que o futsal leonino continua a afirmar-se como um dos mais fortes da Europa.
Para o próprio jogador, este reconhecimento pode representar um ponto de viragem na carreira, aumentando a projeção internacional e abrindo portas a novos desafios, caso o clube assim o entenda no futuro.
No panorama europeu, Paçó passa a integrar um grupo restrito de guarda-redes que combinam fiabilidade defensiva, qualidade técnica e maturidade competitiva, atributos cada vez mais valorizados no futsal de alto rendimento.
Reconhecimento justo para um talento em afirmação
A inclusão de Bernardo Paçó no cinco ideal do Euro 2026 não é fruto do acaso. É o resultado de trabalho consistente, evolução sustentada e capacidade de responder nos grandes palcos. Num torneio exigente, o guarda-redes do Sporting mostrou que pertence à elite e que pode ser uma referência da posição durante vários anos.
Mesmo sem o título europeu, Portugal sai do Campeonato da Europa com sinais claros de renovação e continuidade. E Bernardo Paçó é, hoje, um dos rostos mais evidentes desse presente sólido e desse futuro promissor do futsal nacional.

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