Sporting cai frente ao Porto e complica contas do título sub-15

 


A equipa de iniciados do Sporting voltou a tropeçar na fase decisiva do campeonato e fê-lo de forma dura, esclarecedora e preocupante. A derrota por 5-1 frente ao FC Porto, este domingo, na Academia Cristiano Ronaldo, não foi apenas mais um resultado negativo: foi um alerta sério para um grupo que entrou na Fase de Apuramento de Campeão com ambições, mas que em duas jornadas somou apenas um ponto em seis possíveis.


Na luta pelo título nacional de sub-15, não há margem para entradas em falso. E o Sporting entrou mal, foi frágil, permissivo e acabou exposto perante um adversário que foi mais intenso, mais organizado e, sobretudo, mais competitivo desde o primeiro minuto.


Entrada em falso comprometeu tudo demasiado cedo


O jogo ficou praticamente inclinado logo aos 2 minutos, quando Rodrigo Seca abriu o marcador para o Porto. Um golo madrugador que revelou algo mais profundo do que um simples erro momentâneo: revelou falta de concentração, problemas de abordagem ao jogo e incapacidade de reagir emocionalmente a um cenário adverso.


O Sporting tentou reorganizar-se, mas nunca conseguiu controlar o ritmo. O Porto percebeu a insegurança leonina e fez o que as equipas grandes fazem nos momentos decisivos: apertou, carregou e matou cedo.


Aos 15 minutos, Tiago Portugal ampliou a vantagem, explorando falhas defensivas recorrentes. Aos 33’, Lourenço Moutinho fez o 3-0 e colocou um ponto final na primeira parte. Ao intervalo, o resultado era pesado, mas justo. O Sporting não tinha argumentos nem intensidade para equilibrar.


Fragilidades defensivas voltam a custar caro


Se há algo que este jogo deixou claro é que o Sporting sub-15 tem problemas sérios na organização defensiva quando é pressionado por equipas de topo. A linha defensiva mostrou-se lenta a reagir, mal posicionada e demasiado permissiva nos duelos.


No segundo tempo, esperava-se uma reação mais forte dos leões. Houve mais iniciativa, mais bola, mas pouca eficácia. E quando uma equipa não defende bem e também não finaliza, o desfecho é previsível.


Aos 50 minutos, Rodrigo Seca voltou a marcar, fazendo o bis e colocando o resultado em 4-0. O Sporting estava encostado às cordas, sem capacidade para travar a avalanche portista.


Reação tímida não disfarça os problemas estruturais


O golo de Luís Gonçalves, aos 59 minutos, serviu apenas para maquilhar o resultado. Foi um momento isolado de eficácia num jogo onde o Sporting raramente conseguiu ligar setores ou criar perigo consistente.


Pior ainda: poucos minutos depois, um erro grave da defensiva leonina ofereceu ao Porto o quinto golo, apontado por João Afonso aos 65’. Um lance que simboliza bem o encontro: precipitação, falta de comunicação e decisões erradas sob pressão.


Num jogo desta exigência, esses erros pagam-se caro. E pagaram-se.


Sporting soma apenas um ponto e começa a ficar pressionado


Com esta derrota — apenas a segunda em 20 jogos na temporada — a equipa orientada por João Lourenço soma um ponto na tabela classificativa da Fase de Apuramento de Campeão. É pouco. É curto. E começa a ser perigoso.


Na fase decisiva, cada jogo é quase uma final. Perder em casa por 5-1 contra um rival direto não é apenas um tropeço: é perda de confiança, é perda de margem de erro e é um golpe psicológico num grupo jovem.


A próxima jornada, frente ao Alverca, fora de portas, ganha contornos de jogo obrigatório para ganhar. Um novo deslize pode colocar o Sporting numa posição muito complicada logo no arranque da fase final.


Formação exige talento, mas também exigência competitiva


Convém dizer isto sem rodeios: o Sporting continua a formar bons jogadores, mas formar não é sinónimo de ganhar automaticamente. Nos escalões de topo, especialmente na fase de campeão, ganha quem junta talento a intensidade, rigor tático e maturidade competitiva.


O Porto apresentou tudo isso. O Sporting apresentou talento individual, mas mostrou-se frágil no coletivo, na reação à adversidade e na gestão emocional do jogo.


Aqui entra também a responsabilidade técnica: é preciso preparar melhor a equipa para jogos grandes, ajustar rapidamente durante a partida e exigir mais concentração desde o apito inicial.


Onze inicial e sinais individuais


O Sporting apresentou-se com o seguinte onze:


Joaquim Cabeçana; João Rodrigues, Salmán Umarji, Nicolas Aparício, Martim Sousa; Luís Gonçalves (C), David Makinde, Jacobo Aparício; Diego Monteiro, Laurindo Mendonça e Aladje Conté.


Houve esforço individual, sobretudo de Luís Gonçalves, que além do golo tentou liderar em campo. Mas liderança isolada não chega quando o coletivo não responde.


Próximo jogo é decisivo para manter o sonho vivo


A deslocação ao terreno do Alverca, no próximo sábado, 14 de fevereiro, às 11h00, será determinante. Não apenas para a classificação, mas para perceber como este grupo reage à adversidade.


Se voltar a vacilar, o Sporting arrisca-se a transformar uma fase de campeão promissora numa luta inglória. Se reagir com atitude, intensidade e correções claras, ainda há margem para recuperar.


Uma coisa é certa: o título não se ganha com talento apenas — ganha-se com foco, agressividade competitiva e erros mínimos. E neste jogo, o Sporting falhou em quase todos esses pontos.

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