O Sporting despediu-se da FIBA Europe Cup com uma vitória convincente frente ao BK Prievidza (92-73), no Pavilhão João Rocha, mas o triunfo soube a pouco. A equipa de basquetebol do Sporting já estava matematicamente afastada da próxima fase, o que transforma este resultado numa espécie de consolação tardia numa campanha europeia marcada por altos e baixos.
Num grupo exigente, onde Bilbao Basket e PAOK mostraram outra consistência competitiva, os leões terminaram no terceiro lugar do Grupo M, com sete pontos. A vitória na sexta e última jornada serviu para salvar a honra e fechar o ciclo europeu com dignidade — mas também levanta perguntas que o clube não pode ignorar.
Sporting vence, mas já era tarde na FIBA Europe Cup
A realidade é simples: ganhar na última jornada quando já não há hipóteses de qualificação não apaga o que ficou para trás. O triunfo sobre o BK Prievidza foi claro, construído com autoridade progressiva ao longo dos quatro períodos, mas o dano competitivo já estava feito.
Depois da derrota frente ao Porto no plano interno, havia a expectativa de uma resposta forte. E ela aconteceu — pelo menos em termos de atitude. O Sporting entrou melhor, mais concentrado e com maior intensidade defensiva. No final do primeiro período, a vantagem de 24-21 mostrava equilíbrio, mas também indicava que os leões estavam mais focados.
No segundo parcial, a equipa de Luís Magalhães conseguiu manter o controlo emocional do jogo. Ao intervalo, o marcador assinalava 51-46. Não era uma vantagem confortável, mas era consistente. O problema é que este tipo de controlo deveria ter surgido mais cedo na fase de grupos, quando os jogos realmente decidiam destinos.
Terceiro período decide e expõe diferença de ambição
Foi no terceiro período que o Sporting deu o verdadeiro golpe. A equipa cresceu defensivamente, acelerou transições e encontrou soluções ofensivas variadas. A entrada para os últimos dez minutos com 78-58 no marcador praticamente sentenciou o encontro.
Aqui surge um ponto essencial: quando o Sporting joga com intensidade máxima e circulação de bola eficiente, mostra qualidade para competir neste nível europeu. O problema é a irregularidade. Porque esta versão dominante só apareceu quando já não havia pressão classificativa.
Equipa grande não reage apenas quando está encostada à parede. Equipa grande impõe-se desde o início da competição.
Stephan Swenson assume protagonismo
Se houve rosto nesta despedida europeia, foi Stephan Swenson. O base belga terminou com 24 pontos, três ressaltos e quatro assistências, assumindo o controlo do ritmo e sendo decisivo nos momentos de maior equilíbrio.
Robby Robinson também merece destaque: 19 pontos, 10 ressaltos e duas assistências, números que demonstram impacto nos dois lados do campo. A dupla funcionou, mostrou química e intensidade competitiva.
Mas aqui entra outra reflexão estratégica: onde esteve esta consistência individual nos jogos anteriores da FIBA Europe Cup? Não basta ter talento no plantel; é preciso transformá-lo em regularidade competitiva.
Campanha europeia: terceiro lugar que deixa dúvidas
O Sporting termina com sete pontos no Grupo M, atrás de Bilbao Basket (12) e PAOK (10), igualando o Prievidza na pontuação, mas ficando à frente no critério direto. A classificação final traduz bem o que foi esta segunda ronda: competitividade pontual, mas incapacidade de manter padrão elevado.
Para um clube que quer afirmar-se como referência no basquetebol português e ganhar respeito europeu, terminar fora da fase seguinte não pode ser encarado como normal. O Sporting tem estrutura, orçamento e ambição para exigir mais.
O discurso de “aprendizagem” já começa a soar repetitivo se não vier acompanhado de evolução real.
O impacto da vitória na época interna
Com 21 vitórias em 31 jogos na temporada, os números globais não são negativos. A equipa tem demonstrado capacidade competitiva na Liga portuguesa e continua a ser candidata aos títulos internos.
O próximo desafio frente à Ovarense, fora de casa, será um teste imediato à consistência emocional do grupo. A questão é simples: esta vitória europeia vai servir de impulso ou será apenas um episódio isolado?
Equipas maduras usam este tipo de triunfo como ponto de viragem. Equipas instáveis usam-no como alívio momentâneo.
Basquetebol do Sporting: o que precisa mudar?
Se o objetivo do Sporting é crescer na FIBA Europe Cup nas próximas épocas, há três áreas que precisam de análise séria:
1. Gestão de momentos decisivos – Nos jogos em que a qualificação estava em aberto, faltou frieza e execução defensiva.
2. Profundidade do plantel – A rotação nem sempre manteve intensidade quando as unidades principais descansavam.
3. Mentalidade competitiva – A resposta forte só surgiu quando a pressão já era irrelevante.
Sem enfrentar estas questões de frente, o clube continuará a viver campanhas europeias medianas.
Luís Magalhães e o desafio da exigência
Luís Magalhães tem mérito na organização da equipa e na competitividade interna, mas o salto europeu exige outro nível de consistência. Não basta competir bem em casa; é preciso impor identidade fora, gerir ritmos e manter concentração ao longo de toda a fase de grupos.
O treinador agora enfrenta um dilema: gerir o plantel para atacar a Liga portuguesa com tudo ou usar o resto da época para preparar estruturalmente a próxima aventura europeia.
A decisão estratégica tem de ser clara. Meias medidas geram meias épocas.
Vitória moral ou alerta estratégico?
O 92-73 frente ao BK Prievidza é uma vitória sólida, construída com autoridade, bom aproveitamento ofensivo e controlo do ritmo no segundo tempo. Mostra que o Sporting tem qualidade para competir neste patamar.
Mas também expõe uma verdade desconfortável: a equipa só atingiu este nível quando já não havia margem para erro classificativo.
Se o clube quer transformar-se numa presença constante nas fases avançadas da FIBA Europe Cup, precisa de elevar a exigência interna, reforçar mentalidade e reduzir oscilações.
Ganhar quando já não conta é positivo. Ganhar quando decide é o que separa participantes de candidatos.
O Sporting fechou a campanha europeia com dignidade. Agora resta saber se esta vitória é o início de uma evolução estrutural — ou apenas uma nota de rodapé numa participação que prometia mais.

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